Black Witch: As Bruxarias do Deserto Brasileiro

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Por Merlin Oliveira

Amplamente considerados uma das melhores revelações do ano passado e com grandes shows confirmados para o final de 2016, a Black Witch se prepara para mais um lançamento ainda esse ano, o álbum “Solve et Coagula”, e nós da October Doom já estamos ansiosos para escutar tudo.

A banda formada em 2015 mescla fortes influências de Doom e Stoner com os vocais malignos de Lorena Rocha, além de Rafaum Costa nas guitarras, Amilton Jr. no Baixo e Fred Nunes nas baterias. Nessa entrevista conversamos um pouco sobre o primeiro ano da banda, expectativas pro futuro, cena e, claro, sobre o som perverso que eles fazem.

 

Merlin Oliveira: Primeiramente, eu agradeço em nome da October Doom Magazine pela atenção de vocês. Vocês foram uma das grandes revelações no cenário da música arrastada brasileira. Como foi esse primeiro ano de banda?

Lorena Rocha: Nós agradecemos o convite. Foi um ano bem ativo, na real. Tocamos muito aqui pelo RN, em cidades da Paraíba, Ceará…. Tocamos festivais irados como o Dosol, Suado, Cobaia.

M.O: Como foi a recepção do primeiro trabalho de vocês, o EP “Aware”? E as participações no Festival DoSol 2015 em Caicó e no Festival Suado em João Pessoa?

Lorena: A receptividade foi ótima. O que foi até uma surpresa para mim. Em maio a banda iniciou e em novembro estávamos tocando no Dosol Caicó, dezembro no Suado de João Pessoa. É sempre massa tocar fora de casa, até pela oportunidade de mostrar a música pra outra galera.

M.O: Ainda falando sobre o primeiro trabalho, quais foram as influências da banda no começo e o que mudou para essa nova fase?

Lorena: Na época, Rafaum e eu estávamos ouvindo muito Kyuss, Electric Wizard, Son of a Witch…. Então creio que de imediato essa era a atmosfera em que nos encontrávamos. Na real, acho que o que acaba influenciando a música que fazemos é mais o estado em que nos encontramos, e as bandas que ouvimos espelha esse estado. Uma viagem assim. (Risos)

M.O: O novo álbum “Solve et Coagula” previsto para sair nos próximos dias vai apresentar uma nova formação da banda, agora com Amilton (Monster Coyote) assumindo os baixos. O que os fãs podem esperar desse próximo trabalho?

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Lorena: O álbum ainda foi gravado pelo Jorge em maio desse ano, mas as pessoas que estiveram nos nossos últimos shows já viram a nova formação e os feedbacks estão muito bons. Podem esperar muito fuzz.

M.O: Vocês são uma das atrações confirmadas para o Festival DoSol em Natal, um dos maiores festivais do país. Além disso, existem outros grandes shows previstos? Vocês estão planejando uma tour pelo país?

Lorena: Sim, vamos tocar na etapa Natal esse ano e estamos ansiosos demais. A energia do festival é impressionante, e nós estamos muito ansiosos. Estamos com uma tour Sul/Sudeste planejada para dezembro. Serão entre 8 e 10 shows em cidades como São Paulo, Florianópolis, Balneário Camboriú, Rio de Janeiro. Faremos esses shows acompanhados do Projeto Trator, banda lá de Sampa que são nossos brothers, tocaram aqui em Mossoró algumas vezes. Daqui pra dezembro estamos tocando todos os finais de semana.

M.O: O Rio Grande do Norte tem se mostrado cada vez mais um dos polos do stoner e doom brasileiros, como é a relação de vocês com as outras bandas da região? Como está a cena no Nordeste como um todo?

Lorena: Temos um bom relacionamento com todo mundo, não só do cenário Stoner, mas apoiamos e somos apoiados por vários outros artistas locais que “pertencem” a um outro gênero musical. As bandas do Nordeste são muito apaixonadas, na real. Porque aqui tem mesmo muita banda boa. Mas cena mesmo, não tem. Não tem público pra shows e essa realidade a gente vê em toda cidade que vai tocar. Nossa geração de rockeiros virtuais.

M.O: Existem planos que são frutos dessa união a nível regional?

Lorena: Estamos sempre em contato com quem agita a cena por aqui. Inclusive na semana passada tocamos em Recife, no role de 5 anos do Stoned Festival, que é produzido pelos caras do Mojica e Mondo Bizarro, temos a Desertour já em andamento com o Heavenless e Mad Grinder, Revanger e na tour, faremos com o Projeto Trator, tudo isso fruto da ponte que a gente sempre procura fazer.

M.O: Nacionalmente, as pessoas estão começando a prestar mais atenção nas bandas que estão surgindo em todos os cantos do país, a cena tem ficado cada vez mais forte e unida. Como vocês avaliam esse processo em relação à Black Witch? Existem mais pessoas de outras regiões pedindo por show de vocês? Existem bandas de outras regiões com as quais vocês gostariam de tocar?

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Lorena: Temos um bom reconhecimento em outras cidades, o que é muito bom, porque a gente queria mesmo tocar em todas hahahha. Nós gostaríamos muito de poder tocar com os caras do Saturndust, Space Guerrilla, Muñoz, que são bandas que nós ouvimos pra caralho em casa. Vamos trabalhar nessas pontes aí hahaha

M.O: Depois do lançamento do novo trabalho e dos shows de divulgação que ainda virão, a Black Witch já tem mais planos pro futuro? O que podemos esperar pra 2017?

Lorena: Iremos lançar o álbum agora em 2016 e teremos um tempo para trabalhar com ele. Depois dessa turnê sul/sudeste, pensamos em colocar os pés na Europa.

M.O: Mais uma vez, muito obrigado pela atenção e a disposição. Deixo aqui esse espaço pra vocês falarem o que quiserem ou complementar outras informações.

Lorena: Gratidão Merlin, Morgan e Mateus pelo apoio de sempre.
Pra quem quiser sacar os trabalhos, eles são disponibilizados em blackwitchbr.bandcamp.com
Vida longa à October Doom!

Ficha técnica:
Local: Mossoró/RN
Ano de formação: 2015

Membros:
Lorena Rocha – Vocal
Rafaum Costa – Guitarra
Amilton Jr. – Baixo
Fred Nunes – Bateria

Links: https://www.facebook.com/blackwitchbr
blackwitchbr.bandcamp.com