Colapso mental: Um bate-papo com Parker Chandler da Cough

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Crédito: Johnny Hubbard

Entrevista Por: Billy Goate | Tradução: Elyson Gums

Quando o Cough anunciou seu terceiro álbum, Still They Pray, mais cedo nesse ano, muitos fãs tiveram uma resposta emocional difícil de explicar. Talvez um bem-vindo alívio seja a melhor forma de descrever. A música da banda de Richmond (EUA) tem sido uma experiência catártica para mim e para outros, conversando com a angústia da alma humana de uma maneira simplesmente inquietante.

Quando Melissa e eu decidimos organizar o D&S Fest cruzamos os dedos na esperança de que o Cough tocasse. Sexta-feira, 18 de novembro, essa visão se tornou realidade quando Cough foi headliner do primeiro dia do nosso primeiro Doomed & Stoned Festival.

Levar o Cough para Indianápolis (EUA) foi uma coisa, convencê-los a dar uma entrevista foi outra. Lendo entrevistas antigas, tive a sensação de que eles não gostam muito dessas coisas de relações públicas. As respostas geralmente eram curtas, às vezes até desdenhosas. Talvez seja só o jeito deles. Bom, não custava perguntar. O vocalista e baixista Park Chandler concordou e fizemos um pingue-pongue sobre a viagem mais recente da banda para a Europa.

 

Billy Goate: Aconteceu muita coisa entre os seus álbuns. Foi estranho voltar a ensaiar com os caras no mesmo espaço ou algo assim?

Park Chandler: Nunca teve um hiato e nada do tipo, então não foi uma grande reunião. Tiramos um tempo pra focar em outras partes das nossas vidas, mas praticamos bastante juntos durante os últimos anos.

 

Billy Goate: Vocês encerram Still They Pray com uma parte acústica. Consegue imaginar um “Cough Unplugged”, talvez numa atmosfera mais intimista tipo “Midnite Communion”?

Park Chandler: Falando em um futuro próximo, absolutamente não. Somos fãs de música tradicional americana e é sempre bom tentar incorporar isso no som.  No fim das contas, blues é a base do heavy metal.

 

 

Billy Goate: Vocês trouxeram um quinto integrante para o teclado, o que é novo para a banda. Muita gente está se perguntando quem é Jonathan Kassalow.

Park Chandler: Na verdade, Brandon (Marcey, guitarrista) o trouxe para um ensaio sem consultar ninguém.  Falamos sobre um jeito de fazer o nosso show ser mais próximo das músicas gravadas. JK tocava em uma banda chamada Lost Tribe, mas ele é mais conhecido pra nós como o ‘cara do som’. Ele gravou uma primeira e nunca lançada versão de “Acid Witch”, em 2008, então nós o conhecemos há bastante tempo.

 

Billy Goate: Non sequitur: Onde você fez suas tatuagens?

Park Chandler: Com um amigo chamado Mike Moses, de Columbus, Ohio. Fiz um pentagrama com ele em 06/06/06 e somos amigos desde então. Tem também um cara de Richmond, chamado Ish, e que só faz cinza e preto. O Instagram é @thedrowntown e @callmeishmel caso tenha alguém curioso.

 

Billy Goate: Qual sua bebida preferida?

Park Chandler: A TRVE Brewing, de Denver, fez uma cerveja com o mesmo nome da minha música preferida, “Possession”. Estou preparado para uma road trip por lá só pra provar (essa e as outras cervejas deles).

Saisons são provavelmente meu tipo preferido de cervejas “chiques”.  Espero colocar as mãos num copo, em breve. Eu já gostava da TRVE antes deles batizarem a cerveja com o nome da nossa música, e eu diria que consumir álcool tem bastante a ver com essa faixa em particular. É um ciclo.

 

Billy Goate: Qual foi a melhor coisa que comeram nessa turnê europeia?

Park Chandler: Comemos bifes de seitan (carne de glúten) tão bons que nem os mais carnívoros poderiam acreditar.

 

Billy Goate: A Hungria tem uma mitologia negra e uma história brutal combinando – um país que particularmente acho fascinante. Imagino uma identificação com os fãs que compartilham do lado mais obscuro do Cough (e, aliás, fiquei bem feliz de ver vocês juntos com o Oaken e Grizzly no Desszert Feszt). Existem forças espirituais negras fodendo a gente durante nossa existência humana?

Park Chandler: Acho que é da natureza humana acreditar em merdas espirituais e é isso que fode a gente. Então acho que de certo modo sim. Nós aleatoriamente esbarramos com um busto de Béla Lugosi em Budapeste. Joey escalou pra tirar uma foto e quase derrubou tudo. Teria sido interessante.

 

Billy Goate: A trajetória foi meio um zigue-zague (Alemanha para Hungria para Alemanha, França para a Grécia e de volta para a França. Inglaterra, depois de volta para a Bélgica). Muito tempo na estrada e muito tempo para pensar. Algum pensamento de como o mundo vai acabar?

Park Chandler: Provavelmente vai ser algo relacionado a todos nós tentando controlar um recurso finito do qual nos tornamos dependentes.

Na maior parte das vezes eu durmo durante as viagens, na verdade. Você acorda, vê quem está lá, mija numa garrafa, percebe que está há quatro horas na sua viagem de duas horas e volta a dormir. Ou joga Mario.

 

Billy Goate: “Mind Collapse” é uma das músicas mais trágicas no seu repertório, e depois veio “The Wounding Hours”, que tem uma profundidade sentimental até então inédita para o Cough. Como vocês aprenderam a lidar com a morte, suas e dos outros?

Park Chandler: Isso é muito sobre o que se trata o novo álbum: lidar com a perda. Se você está fazendo de forma honesta, música é um bom jeito de lidar com aquilo que te atrapalha.

 

Ficha técnica:

Membros:

David Cisco – Guitarra
Parker Chandler – Baixo e Vocal
Joey Arcaro – Bateria
Brandon Marcey – Guitarra

Local: Richmond, Virginia/EUA

Formação: 2005

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>> Entrevista publicada na edição #65 da revista
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