Entrevista Augustine Azul: “Lombramorfose”, a entrópica lombra dos sentidos

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Estra entrevista foi extraída da October Doom Magazine #62.
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Por Matheus Jacques

Novo álbum dos paraibanos do Augustine Azul é delírio sensorial em estado bruto.

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(Augustine Azul – Lombramorfose – Capa)

Matheus Jacques: Caras, e aí! Primeiramente queria parabenizá-los pelo excelente novo álbum, “Lombramorfose”. Peça rara e de primeira! Me contém um pouco sobre como foi o primeiro contato de um com outro e as primeiras experimentações e viagens musicais de vocês na formação da Augustine Azul e no desenvolvimento de sua sonoridade.

João Yor: Então, eu já tive bandas com Jonathan tempos atrás, mas passamos um tempo sem tocar juntos. Aí começamos a nos reunir com amigos nossos pra fazer umas jams no Estúdio Capim Santo, que infelizmente acabou. Foram dessas jams que as composições da Augustine Azul foram surgindo. Daí ficamos sem baterista e o Jonathan conheceu Edgard num roque doido e desde então a gente toca junto.

M.J: As diferenças, de logística e de acesso a recursos, foram muito gritantes do EP anterior de 2015 para “Lombramorfose”?

João Yor: Foram sim, no EP não tínhamos grana nem material, produzimos tudo só e gastamos exatamente 30 reais pra gravá-lo, com aluguel de pratos pra bateria. A maior diferença entre o EP e o Lombramorfose é que no EP gravamos instrumento por instrumento isoladamente, já no Lombra a gente gravou ao vivo, numa sala excelente do Estúdio Peixe Boi, amplificadores bem bacanas, bateria legal, pré-amps valvulados e essas coisas maravilhosas que estúdio profissional proporciona.

M.J: O espectro de nuances atingidas nesse novo trabalho foi amplo, trazendo aos meus ouvidos (e à minha mente) referências de Post-Rock, Rock Psicodélico, Blues, Stoner Rock e bastante de Jazz, nesse lance das jam sessions, da “música livre” e de improviso, solta de amarras. O quanto de cada elemento (e mesmo de outros) influiu na composição de “Lombramorfose”?

João Yor: É bem isso mesmo que influenciou a gente no Lombramorfose, conseguimos compilar as mais diversas influências que cada um de nós tem no instrumento e no modo de compor. Acredito que conseguimos explorar mais texturas diferentes que no EP, trabalhamos melhor com a dinâmica e improvisamos de verdade durante as gravações.

M.J: Como está sendo o feedback das pessoas com o novo álbum, quais as impressões que as pessoas têm mandando a respeito dele?

João Yor: Tá sendo maravilhoso, brotaram vários reviews positivos, tanto nacionais quanto internacionais. O que mais foi falado do Lombramorfose foi a maneira como juntamos diversas referências musicais, como todos os instrumento conseguem se destacar individualmente nas faixas, sobre o peso e os timbres também.

M.J: Vocês são uma banda instrumental, e, contudo, as reverberações de cada instrumento se juntam umas às outras para praticamente criar uma “voz” para o desenvolvimento sonoro sublime de vocês. No geral, vocês três são mais “fãs” especificamente de músicos e bandas que desenvolvem suas sonoridades no lance instrumental, ou não tem nada a ver, depende e cada caso é um caso? 

João Yor: Cada caso é um caso, mas somos sim grandes fãs de música instrumental. Temos uma afinidade maior por instrumentos que por vozes, mas claro que tem muitas bandas com voz que curtimos bastante, mas a gente lombra muito mais em reparar nos fraseados, riffs, improvisos, solos, cadências e progressões das músicas.

M.J: Essa nova “pedrada” de vocês foi o primeiro trabalho lançado pela recém-criada More Fuzz Records, um selo lá da França que surgiu a partir da grande plataforma musical e de divulgação de sons More Fuzz, na ativa há alguns anos. Como foi esse primeiro contato pra acertar a parceria, partiu de quem? E como tem se mostrado até agora essa relação com os caras?

João Yor: Tudo começou quando vimos o review que saiu do nosso EP, que foi amplamente elogiado. A partir daí começamos a conversar com o Tanguy, como estávamos em processo de gravação do nosso álbum, juntamos o útil ao agradável. Queríamos ampliar a distribuição desse nosso trabalho e atingir o mercado internacional, o que coincidiu com a vontade do Tanguy de montar um selo, daí deu no que deu.

M.J: Quão prolífico está o cenário musical ai em João Pessoa, na Paraíba? Boas bandas daí pra se acompanhar e dar uma recomendação?

(Augustine Azul - Foto por Emanuel Alves)
(Augustine Azul – Foto por Emanuel Alves)

João Yor: A cena daqui é bem limitada, não temos tantas casas de show assim pro nosso tipo de som e há um descaso enorme com o Centro Histórico daqui, onde a cena underground se concentra. Mas há sim muita coisa bacana se desenvolvendo! Uma recomendação pra todo mundo ficar de olho é a banda Hajem Kunk, também instrumental, que surgiu há pouco tempo e está entrando em estúdio, brevemente sairá material deles, fiquem espertos!

M.J: Em outro papo, citei pra ti duas referências que me saltaram muito aos ouvidos quando conferi o trampo novo, Mahavishnu Orchestra e os trampos do grandioso Hermeto Pascoal. Ai uma pergunta capciosa: qual dos dois curte mais? haha

João Yor: A gente curte Hermeto, mas pagamos muito pau pra turma do McLaughlin e do Cobham! Na real, a gente curte muito fusion de todo tipo, principalmente funk fusion.

M.J: Agradeço muito ai o papo e espero que as coisas continuem rolando lindamente pra vocês, com muitos shows fodas e novos trabalhos excelentes pela frente.

João Yor: Qué isso! A gente que agradece o convite, Matheus! O trabalho de vocês é magistral! Tudo  de melhor pra nóis todos!

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(Augustine Azul – Foto por Emanuel Alves)

Local: João Pessoa/PB
Membros:
João Yor
Jonathan Beltrão
Edgard Moreira

https://www.facebook.com/AugustineAzul
https://augustineazul.bandcamp.com