Entrevista Blues Funeral: Poeira e Hard Rock

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Por Matheus Jacques

(Entrevista extraída da October Doom Magazine #61. Leia esta e outras entrevistas em http://goo.gl/ys6Zvo)

Direto do “empoeirado” Texas, de onde também vêm vários outros sujeitos envolvidos com boas bandas do cenário stoner rock atual, Maurice Eggenschwiler trocou uma ideia comigo agora por essas semanas. O cara é vocalista e guitarrista da banda americana Blues Funeral, que busca no hard rock e no rock progressivo dos anos 60 e 70, além do metal, inspiração para desenvolver seu som (excelente, por sinal!!). Confiram aí.

Matheus Jacques: E aí, maurice, legal falar contigo!
Maurice Eggenschwiler: O prazer é meu. Legal falar com você também!

M.J: Primeiro, sobre o nome da banda: ele vem do álbum de 1969 da banda Groundhogs, “blues obituary”, uma grande peça de hard rock psicodélico. Você diria que essa escolha é apenas uma referência bacana, algo que soa bem, ou a Groundhogs realmente inspirou e serviu de influência para o seu som?
Maurice Eggenschwiler: A escolha do nome representa uma série de coisas. Em termos de sua conexão com o álbum do Groundhogs, ‘Blues Obituary’, é na maior parte apenas um detalhe. Eu não diria que o Groundhogs especificamente tenha tido uma influência significativa ou direta no som da banda, mas existem elementos de sua música que estão absolutamente alinhados com o que estamos tentando fazer. Se você ouvir uma música como ‘BDD’ naquele disco, você vai ouvir algum Baixo retumbante muito bom, e mais adiante você vai ouvir alguns bons licks de Blues em uma guitarra ligeiramente distorcida com algum reverb flexivel nela, o que deixa o som um pouco mais pesado e distorcido. Ele fica um pouco mais pesado e distorcido mais adiante na música. E você ouvirá um bom “balanço” vindo da Bateria mantendo tudo bem situado. Então, nesse sentido, eles têm uma série de dinâmicas em seu som, e isso é parte do que tentamos incluir na nossa música também. Blues Funeral como um nome retrata a fundação subjacente de que o Blues tem tido sobre tanta música, especificamente do Metal, e como tudo isso se atrela a nosso som

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Foto: grooverock photography

M.J: A música da Blues Funeral soa como um caldeirão de boas referências sessentistas e setentistas, como Deep Purple, Black Sabbath, além de vários outros elementos de hard rock e rock progressivo, e também do metal. A banda anterior onde tocaram você, Jan (guitarra) e cory (bateria), sanctus bellum, tinha uma linha mais heavy/doom metal. Como foi o processo de composição dessa linha mais retrô da blues funeral, com você e Jan nos vocais?
Maurice: Sanctus definitivamente tinha um som que era mais enraizado no Doom Metal. Nós retivemos alguns aspectos dessa sonoridade na Blues Funeral com nossa dobra de guitarras (resultando em vários solos). Essas coisas realmente se tornaram uma parte da dinâmica de composição que Jan e eu desenvolvemos através dos anos tocando juntos.Contudo, na Blues Funeral nós tivemos a liberdade de explorar mais dinâmicas melódias no processo de composição que estavam fora de contexto na Sanctus Bellum. Por exemplo, na faixa “Paragon of Virtue” que lançamos em nosso Bandcamp há pouco tempo, existe um trecho que se desenvolve por uma corda menor, por uma corda maior #7, e então para uma menor #7. Esses tipos de variação de cordas, que são uma coisa meio “jazzy”, adicionaram muito ao som da Blues Funeral. Eu acho que nunca escrevemos uma faixa na Sanctus Bellum usando uma corda maior #7, haha. Adicionalmente, ainda que houvessem alguns momentos na Sanctus onde usávamos Órgão, ele nunca foi uma parte integrada do processo de composição. Estamos tentando trazer alguma pegada de Jon Lord, Ken Hensley e Vincent Crane para o projeto. Com respeito aos vocais, Jan e eu temos cantado juntos por anos fora da Sanctus Bellum. Nós temos um apreço pelo estilo e pelo alcance um do outro, e penso que tenderemos a um complementar o outro dessa forma.

M.J: A banda Sanctus Bellum permanece ativa e a blues funeral seria um projeto paralelo apenas, ou já se encontra como o principal trabalho de vocês?
Maurice: Sanctus permanece ativa e realizando um número menor de apresentações. Por exemplo, setembro passado nós tocamos com nossos bons amigos da Apostle of Solitude quando eles vieram à cidade. Foi ótimo tirar a poeira das velhas músicas e fazer um som. Nós obviamente seguimos bem próximos de Ben e Justin, nossos parceiros na Sanctus Bellum. Mas nesse momento, Justin tem outra banda de Stoner Rock, MR.PLOW (onde Cory toca bateria), que se tornou o foco deles. Se você já não o tiver feito, confira a banda! Justin está focado em compor músicas para o projeto, e Jan, Cory e eu estamos vendo a Blues Funeral como nosso projeto principal nesse ponto. Tem muito que queremos realizar!

M.J: Como estão indo as coisas com a Blues Funeral? O progresso é o esperado? E vocês estão se sentindo bem com esse novo projeto?
Maurice: Fantástico. O processo de composição foi bem natural e fluiu muito bem nesse projeto. O álbum sairá no dia 30 de julho, tem seis canções que todos irão querer ouvir direto, mas também já temos outras duas totalmente compostas e algumas outras em estágios de desenvolvimento. Então, temos muito mais a mostrar!

M.J: “Paragon of virtue” foi a primeira faixa liberada do vindouro álbum, “the search”, e vem com um toque forte de hard rock progressivo/proto-metal, grande ambientação… Um som com uma grande atmosfera. Podemos esperar muito mais dessa vibe 70’s no álbum?
Maurice: Sim. A faixa-título em particular, acho que levará as pessoas à uma viagem incrível, haha. A música tem, provavelmente, o mais abundante uso de Órgão. O que me assusta é que Jan é quase tão bom tocando Órgão quanto guitarra. Você ouvirá quase um minuto e meio dele tocando Órgão na faixa título. Mas sim, no geral a composição desse álbum incluiu uma variedade de elementos progressivos. Você ouvirá alguns sons mais pesados também haha.

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(The Search – Capa)

M.J: “The Search” ganhará uma versão física em vinyl / cd?
Maurice: Sim. Lançaremos em CD em um digipack muito bacana com a arte por conta de David Paul Seymour (artista americano que ilustra para várias bandas ligadas ao cenário do stoner rock). O lançamento físico está marcado para 30 de julho em um show no qual tocaremos com nossos bons amigos das bandas Vehement Burn e Ganesha, aqui em Houston. Temos recebidos uma porrada de perguntas sobre o lançamento em vinil…. Então, provavelmente teremos que lançar em vinil também, em algum momento…

M.J: O Texas tem apresentado um número notável de grandes bandas dentro do cenário stoner rock, como Wo Fat, Mothership, The Sword, The Well, Crypt Trip…. Vocês são amigos de todo esse pessoal, dividiram os palcos com alguns deles? E como foi o crescimento musical em Houston?
Maurice: É interessante. A cena musical do Texas sempre foi abundante em grandes bandas, mas acho que recentemente muitas delas estão ganhando o reconhecimento que merecem. Na Sanctus, tocamos com Wo Fat e Mothership por muitos anos. Kelley é um grande cara e um monstro na guitarra. Estou sempre “incomodando” o cara com o quão legal é sua “cara de Rock” nos palcos, haha. Nós certamente gostaríamos de fazer algo com a The Well em algum momento. Tentamos trazê-los para Houston ano passado, mas Lisa e os demais estavam bastante ocupados se preparando para entrar em estúdio para gravar seu novo álbum, o que acontecerá muito em breve. A própria Houston tem uma grande cena de Metal. Temos bandas como Oceans of Slumber, Venomous Maximus e Helstar, que estão realmente carregando a tocha de Houston em níveis nacional e internacional.
Temos bandas como The Dirty Seeds, Doomstress, Funeral Shroud, PuraPharm, Funeral Horse, Krvshr… e outras que tocam regularmente e ajudaram a moldar e desenvolver uma verdadeira comunidade de músicos e fãs. Recentemente, estive falando com alguns amigos nossos sobre o verdadeiro fato de que todos conhecemos todos na linha de frente em muitos desses shows de Metal em Houston. Somos todos amigos e damos nosso melhor para colaborarmos uns com os outros e com seus projetos.

M.J: Cara, me conte um pouco sobre tua formação como guitarrista, trabalhos em outras bandas e tuas referências como músico.
Maurice: Desde que estava velho o bastante para saber como era uma guitarra, estive fascinado por isso. Minha avó me comprou minha primeira guitarra. Era uma guitarra acústica que não tenho mais, infelizmente. Quando eu a peguei, apenas sabia como tocar alguns acordes. Apenas quando completei 12 anos tive minha primeira guitarra elétrica, uma Stratocaster preta. Desde então, vem sendo uma obsessão haha. Acho que tocar na sanctus por 5 anos realmente me ajudou a desenvolver minha composição. “Dumb Luck Divinity” é uma música de nosso segundo álbum da qual estou realmente orgulhoso. É longa e com muitas variações entre passagens mais pesadas e outras mais viajantes.Sobre as influências… longa lista. Sou fascinado por caras como Jimi Hendrix, Ritchie Blackmore, Uli Jon Roth, Frank Marino, Gary Moore e Robin Trower. Eles têm muito sentimento em sua forma de tocar e tremendas habilidades tambem. Vinnie Moore e Marty Friedman são dois caras que tiveram muito impacto na minha forma de tocar. Eu amo o trampo de guitarra de Michael Amott e sua criação de riffs. Seu estilo de solo é bastante melódico e e ele usa bastante vibrato. Minha principal grande influência na guitarra foi Mikael Akerfeldt, do Opeth. Quando ouvi “My Arms, Your Hearse” pela primeira vez, literalmente mudou minha vida.

M.J: Sobre as próximas turnês e festivais, quais datas bacanas vocês já têm marcadas? Alguma chance de uma tour sul-americana no futuro? Vocês já cogitaram algo do tipo? (e se acontecer, uma sugestão: algumas datas no brasil, isso seria incrível haha)
Maurice: Como mencionei antes, temos um show de lançamento para o CD onde, será realizado dia 30 de julho em Houston. Estamos planejando algumas coisas realmente especiais para o show. Estaremos tocando versões estendidas de alguns sons e trazendo outras surpresas misturadas. Depois disso, teremos um show em setembro com a Destroyer of Light e a Witchcryer (duas outras bandas do Texas). Temos algo alinhado para janeiro do ano que vem, mas ainda não podemos falar sobre, mas tem muita coisa vindo. Falamos sobre querer fazer algo na Europa em algum ponto. Não sei exatamente quando. Não discutimos sobre a América do Sul, mas tenho meus vínculos com a Venezuela, meu amor pelo vinho argentino e pela carne brasileira…. Não seria difícil me persuadir, hahaha

M.J: Cara, apenas pra fechar: o que podemos esperar do “the search”? Será uma audição indispensável em 2016 pra quem curte o bom e velho hard rock?
Maurice: Bem, o álbum abre com um a guitarra limpa com algum phaser e delay resultando em uma passagem bem madura, e o álbum é finalizado com uma pegada massiva, com baterias trovejantes e guitarra pesada, haha. Eu acho que esse álbum tem algo para todo mundo, sendo fã do “old school” ou não. Se as pessoas curtem riffs sólidos, guitarras harmoniosas, solos, vocais harmoniosos, Órgão, linhas de Baixo fluidas, e algum trabalho balanceado de bateria… vão viciar nesse álbum.
Cheers! Obrigado por ouvir nosso material e por divulgar!
NOTA: Maurice estudou em uma escola internacional na Venezuela, onde morou por alguns anos, e aprendeu algumas belas palavras em Português com brasileiros que também estudavam lá. “Poha” e “Fodeo” estão entre elas!

BLUES FUNERAL
Jan Kimmel (El Janni) – Guitarra, Vocal
Maurice Eggenschwiler – Guitarra, Vocal
Cory Cousins – Bateria
Gabriel Katz – Baixo
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