Entrevista com Crobot: Bem-vindos à Cidade do Groove!

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Crédito: Divulgação

Por Matheus Jacques

A banda americana Crobot atinge o ápice de suas habilidades no melhor trabalho de sua carreira, e conta pra gente os corres pelas turnês mundo a fora apresentando o novo trabalho, Welcome to Fat City.

Matheus Jacques: Venho acompanhando o som da banda desde o ano de seu primeiro lançamento, Legend of the Spaceborne Killer, de 2012. Foi um dos grandes achados daquele ano pra mim. Desde então, o som que vocês vêm desenvolvendo segue pela linha criada no debut, sem variações drásticas, mas certamente reforçando as nuances, o groove e o peso em cada novo trabalho. As três faixas que ouvi do novo trabalho, o vindouro Welcome to Fat City, apenas me fazem reforçar isso. Você diria que são do lema “se não quebrou, não mexa?” O que podemos esperar do novo álbum?

Crobot: Não mudamos nada no processo de composição. Como você mesmo disse, se não está quebrado, não precisamos consertar. O novo material com certeza é mais pesado, as coisas mudaram, mas na mesma direção – uma evolução, se quiser chamar assim. Isso provavelmente se deve ao fato de que, por termos feitos tantos shows juntos, tornou-se um processo praticamente natural.

 

MJ: A Crobot me soa como uma banda extremamente irreverente, tanto nas enérgicas apresentações no palco quanto na temática das músicas e nos divertidos videoclipes. O quanto disso vocês levam para suas vidas pessoais, ou o quanto isso vem de suas próprias experiências do cotidiano?

Crobot: Tentamos não nos levar a sério e sempre nos divertirmos. Isso torna a vida na estrada muito mais fácil e menos monótona. Se as pessoas não gostarem do nosso som, pelo menos podemos fazer elas rirem ou sorrirem um pouco.

 

M.J: Sobre Welcome to Fat City, o novo álbum que sai muito em breve. Mais ou menos quando começou o processo de concepção desse sucessor de Something Supernatural (2014) e quais têm sido as primeiras reações das pessoas que já tiveram a chance de ouvir esse trabalho, ou ao menos alguns sons que já foram disponibilizados para audição? O feedback tem sido positivo e agradado vocês?

Crobot: O feedback tem sido positivo e as pessoas gostam da progressão do som da nossa banda. Tornamos-nos compositores mais maduros, embora piadas de pinto peido ainda nos façam gargalhar.

 

M.J: A capa novamente é um trabalho do talentoso guitarrista da banda, Chris Bishop, que pelo visto demonstra ser tão prodigioso com o trabalho de ilustração quanto com uma guitarra. Chris, quais tuas principais referências e influências na hora de criar as artes para o Crobot, e quais foram elas especificamente nesse novo trabalho? Além disso, quais as suas principais inspirações como guitarrista?

CB: Eu diria que a música é a maior influência para as (minhas) artes. Neste álbum, quis criar a terra que Brandon descreve na música “Welcome to Fat City”. Queria uma sensação de Simpsons viajado no ácido. Como guitarrista, alguns dos meus músicos preferidos são Audley Freed (Cry of Love), Moses Mo (Mother’s Finest), Tim Sult (Clutch) e muitos outros que poderia citar… Eu gosto de música boa. E, quando ouço uma música boa, isso me inspira a tocar.

 

M.J: Vocês certamente já colocaram na lista vários feitos grandiosos (e merecidos) nesses anos: shows nos festivais Hellfest e Download, um show no Motorboat 2015 (ao lado de nomes como Motörhead e Anthrax), uma apresentação marcada para o ShipRocked em 2017 com bandas como Monster Truck, Sevendust, Alter Bridge e Mothership, entre outras. Já podemos contar com vocês para a primeira edição de um festival no Lado Escuro da Lua daqui uns anos? (risos)

Crobot: Engraçado você mencionar isso, sempre brincamos sobre ser a primeira banda a tocar na Lua. Fizemos muitas turnês e isso certamente é um teste de durabilidade pra qualquer ser humano. Ainda assim, amamos o que fazemos, aprendemos bastante, e vamos continuar aprendendo.

 

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M.J: De verdade, qual é a impressão de vocês sobre o ponto até o qual chegaram e qual a expectativa dos próximos passos, as próximas grandes conquistas? Ou querem simplesmente tocar hoje, se divertir e dane-se o amanhã?

Crobot: À medida que crescemos, é inevitável pensarmos no futuro. Gostamos de saber sobre tudo o que está acontecendo hoje na nossa carreira para pensar melhor o amanhã. Não somos uma banda que deixa a equipe fazer tudo e aí a gente simplesmente sobe no palco e toca. Ser músico hoje é muito mais do que tocar um instrumento. Você tem que estar envolvido em todas as etapas para ter futuro.

 

M.J: Na hora de compor as músicas, quais são as primeiras referências que vêm à mente de vocês para escrever as letras? Quais tipos de temas os inspiram: HQs, cinema, sci-fi…? Seriam vocês assumidamente “nerds”, abrangendo elementos dessa cultura?

Crobot: É sempre diferente. Uma musa inspiradora pode aparecer de várias maneiras e formas diferentes. Quadrinhos, livros (ficção e não-ficção), ficção científica, mesmo outdoors, tudo pode fazer parte das anotações pras letras. Mas a gente é “nerdão” sim. Dito isso, algumas das letras parecem simplesmente escoarem da minha boca enquanto estou escrevendo, para depois acontecer um processo de análise do material até eu estar satisfeito. Acho que essa é a forma mais produtiva e saudável de compor – as ideias surgem livremente, se não for assim é como bater num tijolo. Esses tijolos, “blocos de texto”, são sinônimo de falta de inspiração.

 

M.J: O groove, o peso, os refrões marcantes e grudentos: esse conjunto é sempre evidente e marcante nos sons da Crobot. Parece ser uma característica que evoca bastante o melhor do hard rock feito nos anos 1970, de bandas como Led Zeppelin, Free, Cactus e Rush, e também alguns bons nomes do rock dos 1990, como Soundgarden. E o balanço de vocês me parece muito vir do funk, que imagino ser algo que vocês também curtam. Estariam esses grupos na lista dos nomes que serviram de alguma forma para inspirar o som de vocês? E, além delas, quais outras ajudaram a compor um “painel sonoro” para a banda? Quem sabe James Brown e Funkadelic aí na mistura? (risos)

Crobot: Rapaz, acertou em cheio (risos). Tudo isso nos influenciou de alguma maneira. Gostamos de stoner rock e promo-metal, como Leaf Hound, Atomic Rooster, Wishbone Ash, até o funk de George Clinton, passando ainda por Clutch, Queens of the Stone Age e Black Sabbath. Tem muita coisa mesmo influenciando a nossa música, além da cerveja e dos baseados.

 

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M.J: Pegando o trabalho anterior e o novo e perguntando agora a cada um da banda (ou a um todo, se entrarem em consenso): existe uma canção preferida de cada um em Something Supernatural; e alguma que vocês diriam que, definitivamente, balançará a cabeça das pessoas em Welcome to Fat City a ponto de derreter os miolos?

Crobot: A faixa-título, “Welcome to Fat City”, definiu o processo criativo do restante do álbum, e foi por isso que a escolhemos para dar nome ao disco. Tem bastante funk, e talvez seja o “dragão de funk” que vamos caçar pelo resto da nossa carreira. E isso é bom!

 

M.J: Vocês são daqueles grandes colecionadores de CDs, possuindo algumas raridades em suas casas e participando de todo esse grande “ritual” que envolve esse lance de procurar, comprar, experimentar aquele primeiro momento com o álbum recém-adquirido ou não ligam muito para isso particularmente?

Crobot: Mothership Connection, do Parliament. O funk é forte nesse aqui. Abra e cheire primeiro, porque é muito além de maduro! (Aqui ele faz a comparação com uma fruta. Acho que fica meio estranha a frase em português.)

 

M.J: Sobre o futuro: quais são os próximos compromissos de vocês, datas da tour, alguns shows, festivais e tudo o mais?

Crobot: No momento estamos em turnê na Europa junto com o Volbeat e o Airbourne, tocando em arenas lotadas e, rapaz, que jornada tem sido essa! Depois disso vamos tirar um mês de folga antes de ir pro ShipRocked 2017. O ano novo traz uma série de novos shows e em breve vamos nos organizar para os próximos meses.

 

M.J: Existe a vontade de entrar em territórios não explorados na tour do novo álbum nos próximos tempos, algo como Japão ou alguns países pela América do Sul? Essa é uma coisa que você diria ser fundamental nesse lance da música com a possibilidade de ir “além-mar”, ou você se sente mais confortável tocando no “quintal de casa” mesmo, para alguns rostos mais conhecidos?

Crobot: Adoraríamos tocar em lugares em que nunca estivemos, especialmente na América do Sul. Gostamos do desafio de tocar para pessoas que talvez não saibam quem nós somos.

Ficha Técnica:

Formação:
Brandon Yeagley – Vocal, Harmonica
Chris Bishop – Guitarra, Vocal
Jake Figueroa – Baixo
Paul Figueroa – Bateria

 

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