Entrevista com The Obsessed: Viva e pronta para a ação!

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Por: Matheus Jacques
Tradução: Elyson Gums

 

De volta à cena recentemente e buscando sacramentar sua nova formação, se reencontrando aos poucos, a seminal banda The Obsessed liderada por Scott Wino Weinrich lança novo álbum “Sacred” em abril pelo selo Relapse Records. E foi com Wino que conversamos sobre a volta da banda, o novo trabalho, a vida e planos de turnê!

 

ODM:  The Obsessed terminou “oficialmente” em 1995, certo? Apesar disso, houve shows de reunião, como no Roadburn Festival (2012) e no Maryland Death Fest (2013). Mas agora é pra valer, com um line-up definitivo, mais shows acontecendo, turnês e um álbum chamado Sacred, previsto para 2017. O que aconteceu desde então para tomarem essa decisão de voltar com o The Obsessed?

Wino: Sim, é bem por aí. Propuseram para nós algumas reuniões ao longo dos anos e participei de algumas, mas nunca pareceu certo e eu estava decidido a parar com o The Obsessed definitivamente até eu ter a chance de uma jam com o baterista Brian Constantino, que tinha trabalhado com o The Obsessed no início da banda. Nessa jam, notei uma química diferente entre nós e desenvolvemos uma grande camaradagem. A banda favorita do Brian era o The Obsessed. Na verdade, ele tinha meio que parado de tocar bateria por vários anos por causa do tédio e frustração com as bandas de R&B em que ele estava tocando. Depois que tocamos juntos, ambos sabíamos que o The Obsessed tinha renascido. Pessoalmente, me sinto completamente re-energizado e essa química musical me empoderou a mudar meu estilo de vida, e me inspirou a continuar criando.

 

Cara, você nunca esteve totalmente fora, completamente parado. Você é um dos mais prolíficos e produtivos da cena, sempre com algum trabalho novo, alguma parceria, algum projeto em execução. Ainda assim, dá pra dizer que você tem uma afeição especial pelo The Obsessed e é por isso que estamos vendo a banda ativa de novo?

W.: Como falei antes, nunca senti que essa reunião era certa até cristalizá-la de novo com o Brian. Obviamente, estou bastante excitado. The Obsessed foi “meu bebê” desde sua criação, é a minha banda. Embora eu goste bastante de participar de outras bandas, como Shrinebuilder, Vitus etc., nessa eu me sinto em casa.

 

Os primeiros samples “Be the Night” e “Sodden Jackal” são do caralho! Peso e doom metal de um jeito primitivo, cru, visceral. O tom desse novo trabalho vai seguir essa linha old school e tradicional ou pretendem incluir outras nuances em Sacred?

W.: A única formula que uso é a de beleza musical. Podem esperar a melhor qualidade de produção e de execução possível, o que felizmente tem sido ampliado por termos um selo forte, a Relapse Records.

 

Tem algo mais que você poderia ou gostaria de nos deixar saber sobre Sacred, como uma data de lançamento ou algo assim?

W.: Vocês verão o álbum na primavera de 2017.

 

Imagino que vocês pensem em fazer algumas turnês em 2017 para promover o novo álbum, certo? Pensam em tocar apenas nos Estados Unidos e localidades próximas ou estão preparando uma turnê maior, mais global?

W.: Vamos cuidar dos nossos compatriotas primeiro, depois vamos para o resto do mundo. América do Sul é prioridade, já que ao longo dos anos fui abordado por vários fãs sul-americanos. Seus pedidos não caíram em ouvidos surdos.

 

Você lançou alguns acústicos também: dois solos (Punctuated Equilibrium and Adrift), três com o ótimo compositor alemão Conny Ochs (Heavy Kingdom and Labor of Love, de 2012, e Freedom Conspiracy, de 2015), assim como trabalhos com Scott Kelly e Steve Von Till. Nesse lado mais suave e introspectivo da música, quem são as pessoas que mais te inspiram?

W.: Neil Young, Crosby, Stills & Nash, Roky Erickson, Townes Van Zandt e a vida.

 

Falando sobre impressões: após ter lido várias coisas a seu respeito, e pegado informações de diferentes pessoas, a imagem que faço de você é de um cara maneiro, que respeita os fãs, músicos e outras pessoas envolvidas na cena. E acho que esse tipo de coisa vem quando se é completamente honesto: se você é verdadeiro com as pessoas, quase com certeza vai receber essa verdade de volta. Você acha que ser completamente honesto, mesmo que isso às vezes signifique ser duro e incomodar algumas pessoas, é o que faz a diferença?

W.: Absolutamente. Sua percepção é excelente e precisa. Uma das coisas mais importantes é prestar atenção às políticas – não me refiro globalmente, falo das intrigas internas da indústria da música. Mas só deixando claro: sim, honestidade é sempre a melhor política e ninguém me diz o que fazer.

 

Muito das suas letras (talvez a maior parte) vem sobre coisas do dia a dia: problemas, conflitos, emoções pessoais e sua relação com drogas. Algo palpável, acessível. Você viveu o melhor e o pior, teve todo tipo de experiência. Você acha que a sua música, tanto as composições quanto os shows, seriam os mesmos se sua vida tivesse sido sempre pacífica, um constante “passeio no parque” (risos)? Você acha que essa visceralidade e paixão te definem?

W.: Minha filosofia é: deixe a música falar. Dito isso, todas as experiências de vida e amor trazem o mesmo aprendizado. É sempre arte em fluxo. Eu diria que sim, suas palavras estão corretas. Você parece bastante inteligente e bem informado, é bom ter essa conversa com você.

 

Você tem 55 anos. Já pensou em ir mais devagar de agora pra frente, ou ainda consegue se imaginar perto dos 70 anos viajando e tocando o terror no palco como os caras do Sabbath (risos)?

W.: Porra, sim. Na verdade eu tenho 56… 3056, então tenho estado aí há algum tempo (risos).

 

Como fã, essa é uma pergunta que preciso fazer e tenho certeza que muita gente está esperando por algo assim: em 2017 vamos poder finalmente vê-lo tocando com o The Obsessed? Eu imagino que não seja uma logística simples, mas com certeza não é impossível!

W.: É um sonho que sempre tive e algum dia será realizado. Então, sim, esperamos que o The Obsessed toque na América do Sul em 2017. Promotores dignos de confiança podem entrar em contato por meio do nosso empresário, Paul Schlessinger, pelo e-mail [email protected]

 

Encerrando, gostaria de agradecer por sua atenção e pedir para deixar uma última mensagem para as pessoas que gostam do seu trabalho aqui no Brasil.

W.: Muito obrigado a todos que estiverem lendo, muito obrigado pelo apoio ao longo dos anos, e estamos ansiosos para vê-los ao vivo e a cores o quanto antes.

 

 

Para BRIAN COSTANTINO (Baterista)

ODM: Cara, inicialmente você participou do Obsessed como técnico de bateria, e agora tem esse lance sobre você ser chamado para assumir a bateria na reativação da banda, sendo parte de um momento realmente interessante. Como isso ocorreu, como foi o processo de se tornar o cara no controle da bateria do The Obsessed?

Brian: Antes de mais nada, muito obrigado pela entrevista. Por onde começo?

Em 1983 eu morava a uma quadra de distância do Ed Gulli (então baterista do Obsessed) e a meia quadra de Joe Lally (baixista do Fugazi) e eles me apresentaram à música do Wino. Nem preciso dizer que gostei pra caramba. Quando Ed entrou no Obsessed ele me pediu pra ser o técnico de bateria, o que era incrível pra um adolescente de 16 anos. Eu não tocava bateria na época, mas Ed me ensinou como montar o kit e fazer a checagem de som básica e essa foi a minha introdução ao instrumento.

Avançando pra agora, quando Wino e Ed voltaram para o Maryland Doom Fest como Spirit Caravan, Ed me perguntou se eu faria aquilo de novo para este show e eu disse que seria ótimo, como nos velhos tempos. Desde muito tempo eu aprendi a tocar bateria, inclusive ouvindo The Obsessed, então eu sabia bem mais. Fui à maioria dos ensaios e aprendi mentalmente todas as músicas pra ajudar o Ed. Em um ensaio, falei pro Ed que adoraria tocar “No Hope Goat Farm”, do Spirit, então no meio da coisa o Ed parou e disse “Ei, Wino, o Brian quer tocar uma música”. Na época, não achava que o Wino sabia que eu tocava, mas ele disse “Claro, chega aí e vamos fazer”. Lembro dele e Sherman olhando pra mim tipo “Porra!”, não sabendo que eu tocava há algum tempo.

Depois da tour do Spirit Caravan com o Ed, Wino me chamou e perguntou se eu queria participar de um projeto paralelo com ele. Me surpreendi com a ligação e falei: “Porra, claro, vamos fazer!”. Depois de dois ensaios juntos, teve um clique e ele disse pra eu ir pro Spirit Caravan, o que eu aceitei. Chamamos Sherman pra começarmos a ensaiar juntos e enquanto tocávamos algumas músicas do “The Obsessed”, soou matador. E com tanta gente sempre pedindo pro The Obsessed voltar, Wino fez a decisão de mudar nosso nome para “The Obsessed” e ir pra uma turnê e gravar com esse nome, tocando aquelas músicas. Como eu aprendi a tocar ouvindo o The Obsessed, foi ótimo porque independentemente do que fôssemos tocar, eu sabia.

Agora estou apenas esperando pelo lançamento do álbum, que está incrível com a ajuda de Frank “The Punisher” Marchand e Rob Queen, e pela turnê no ano que vem, esperando tocar para o maior número de pessoas possível e no maior número de lugares.

Desculpa pela resposta longa, mas quis responder totalmente a questão… Paz. Brian.