Entrevista com Paradise Lost: Mais uma vez em terras brasileiras

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Por Ester Segarra

Por: Edi Fortini e Jenny Souza
Tradução: Elyson Gums

Os ingleses da lendária banda Paradise Lost vieram participar da primeira edição do Epic Metal Fest no Brasil e a October Doom conseguiu uma entrevista exclusiva com eles! Falamos sobre o novo CD que está em andamento, histórias do passado, a experiência de tocar com o baterista Waltteri Väyrynen entre outras coisas.

Quer saber no que resultou? Confere aí!

Créditos: Edi Fortini Photography https://www.facebook.com/EdiFortini
Créditos: Edi Fortini Photography
https://www.facebook.com/EdiFortini

October Doom Magazine: Vocês estão na estrada há quase 30 anos e muitas coisas na indústria da música mudaram nesse tempo, o mercado está mudando bastante nos últimos anos. Como veem a indústria musical num futuro breve? Vocês estão se preparando para isso?

Greg Mackintosh: Sim, as coisas mudaram bastante, algumas para melhor e outras para pior. Não há razão para se preocupar com o que vier depois, geralmente essas coisas são cíclicas, então estou bastante otimista quanto ao futuro.

Dito isso, no ano em que nasci, Paranoid, do Black Sabbath, estava no topo, e agora é a porra do Justin Bieber.

 

O.D: Vocês estão trabalhando num novo álbum. O que podem dizer sobre isso até o momento?

Greg: Acredito que o que já temos escritos é tão bom ou até melhor que o disco anterior (The Plague Within, 2015). Também é diferente o suficiente do nosso último disco para manter tudo interessante.

 

O.D: Com o tempo e a convivência, o processo de criação se torna mais fácil ou não?

Greg: Eu me tornei melhor na organização das ideias e na agilidade enquanto escrevo. Também me tornei bastante auto-crítico. Fora isso, não acredito que nada seja diferente. É um constante processo de aprendizagem.

 

O.D: Waltteri Väyrynen ocupou recentemente o espaço de baterista da banda. Ele é mais novo do que vocês, mas tem uma técnica maravilhosa. Como tem sido tocar com ele?

Greg: Eu tenho outra banda, chamada Vallenfyre, e fizemos um anúncio procurando um baterista e Waltteri conseguiu o emprego. Depois de tocar com ele por um ano nesta banda, apareceu uma vaga no Paradise Lost e o coloquei lá. De início, o resto da banda foi cético. Gostaram quando o ouviram tocar, mas assim como eu, no início estavam preocupados por ele ser muito jovem. Mas logo, perceberam que ele era maduro o suficiente. Ele é mais responsável que o resto de nós juntos, e também tem um grande senso de humor, o que é essencial. Infelizmente ele tem alguns gostos musicais duvidosos, mas vai aprender quando for mais velho. 🙂

Por: Ester Segarra (Divulgação)
Por: Ester Segarra (Divulgação)

 O.D: Vocês passaram por diversos estilos dentro do metal, por vezes beirando o death metal, por vezes mesclando com o gothic rock e todas tiveram seu reconhecimento e importância em cada momento. Qual foi a época mais marcante para vocês?

Greg: Todos têm seus méritos por diferentes razões, mas quando entramos na cena de música exrema na Europa, nos anos 80, foi um tempo mágico. Ainda somos amigos de muita gente dessa época e todos eram verdadeiros. Nem todo mundo tem chande de fazer parte de algo tão único.

 

O.D: Vocês planejam fazer mais turnês comemorativas como foi feito com o Gothic? Qual foi o sentimento de tocá-lo na íntegra?

Greg: Não. Nunca diga nunca, mas obviamente a cada vez que se faz isso, fica menos especial. O sentimento é estranho porque nesses shows a plateia é composta por dois tipos de pessoas: as que eram fãs quando o CD foi originalmente lançado, e vieram para relembrar, e as que eram muito jovens na época e sempre quiseram ver o disco tocado ao vivo. Me sinto honrado em ter uma história que pode unir esse público.

 

O.D: Durante toda a carreira vários singles foram lançados e cada um, em sua época, teve um significado único. Existe alguma música no novo cd que vocês estão trabalhando que tenha esse feeling com um pouco mais de destaque, tal como foi com “Gothic”, “Erased” ou “True Belief”?

Greg: Músicas assim só aparecem depois de estar tudo terminado. Não dá pra prever, e nem é bom tentar. Nós fazemos o nosso melhor e ocasionalmente algo diferente acontece.

 

O.D: Como é voltar ao Brasil? De todas as vezes que tocaram aqui, teve alguma mais marcante?

Greg: Nós sempre nos divertimos no Brasil, os fãs são ótimos. Na primeira vez foi mais surreal, por sermos partes do Monster of Rock com o Ozzy, tocando em estádios de futebol. Estávamos com um pouco de frio na barriga.

 

O.D: Se vocês pudessem dar um conselho a vocês mesmos no início da carreira, qual seria?

Greg: Relaxem e aproveitem, porque é fácil se estressar nesse meio.

 

Créditos: Edi Fortini Photography https://www.facebook.com/EdiFortini
Créditos: Edi Fortini Photography
https://www.facebook.com/EdiFortini

Perguntas dos fãs:

Heder Honorio: Dentro do metal as pessoas têm muito uma tendência a achar que música e questões políticas não se misturam. Qual é a opinião da banda com relação a isso, principalmente considerando que atualmente estamos passando por um momento político conturbado em âmbito mundial?

Greg: Eu vim de uma cena de hardcore punk no Reino Unido, que é politicamente bem carregada. Gosto de letras inteligentes e bem escritas, mas infelizmente a maioria com mensagens políticas não são. Não há soluções, apenas reclamações, o que eu até consigo gostar. As letras do Paradise Lost são mais escapistas, falamos sobre assuntos esotéricos. Se você vai falar sobre política nas suas letras, pelo menos saiba sobre o que está falando, ou tenha experiência no assunto. Barney, do Napalm Death (Mark Greenway, vocalista), é um bom exemplo de alguém que estuda antes de escrever.

 

Guilherme Wassem: Quais as influências musicais de cada membro da banda?

Greg: Bem difícil responder essa. Steve gosta só dos primeiros do Iron Maiden e do Black Sabbath. Aaron viveu em Londres por bastante tempo e é bem eclético, mas suas raízes são classic rock e metal. Nick e eu temos fases de gostar muito de uma ou outra coisa, às vezes mais brutal, às vezes mais sombrias. Na verdade, o meu gosto sempre foi um pouco mais subversivo que o dele.

Sou o único integrante que chegou à música extreme por meio da cena de punk rock. Todos os outros vieram do metal e eu era bastante deslocado até o meio dos anos 80.

 

Luciano Las: Todos os discos da banda têm um sentimento muito pessoal para cada fã, mas o álbum GOTHIC foi um divisor de águas tanto para a banda quanto para definir todo um novo estilo musical que despontava naquela época. Há alguma possibilidade ou proposta de a banda fazer um novo relançamento com uma produção mais atual e bem trabalhada em cima disso?

Greg: Não acho que seja uma boa ideia. Fizemos novas versões de músicas antigas em gravações ao vivo etc, mas acho que alguns álbuns são muitos próprios de seu tempo, e nuances de som, produção e atitude são tão importantes quanto as músicas em si.

 

October Doom: Agradecemos a atenção e o carinho com o qual os fãs brasileiros sempre foram tratados. Aproveitem para deixar um recado para os fãs Brasileiros

Greg: Obrigado pelos anos de apoio. Tocamos no Brasil há 20 anos e nunca nos desapontamos.

Créditos: Edi Fortini Photography https://www.facebook.com/EdiFortini
Créditos: Edi Fortini Photography
https://www.facebook.com/EdiFortini

 

Confira mais fotos do Epic Metal Fest aqui nesse link.

Ficha Técnica:
Local: Yorkshire/UK

Integrantes:
Nick Holmes – Vocal
Greg Mackintosh – Guitarra
Aaron Aedy – Rhythm Guitarra
Steve Edmondson – Baixo e Guitarra
Waltteri Väyrynen – Bateria
Mais informações:
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