Entrevista Fuzzly: 15 anos de rock and roll pesado e arrastado

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Por Merlin Oliveira

O Fuzzly é amplamente considerado um dos pioneiros do stoner rock brasileiro. Combinando rock and roll pesado com um clima denso e arrastado, os cuiabanos comemoraram 15 anos de história da banda em agosto deste ano. Para saber mais sobre essa história e o que ainda está por vir, a October Doom Magazine conversou com os caras sobre shows, cena e planos para o futuro.

Merlin Oliveira: Primeiramente muito obrigado pela atenção e disposição. Pra começar, eu queria que vocês falassem um pouco sobre as influências de vocês. Quais são os sons que não saem da playlist de cada um e o que inspirou cada fase da banda desde 2001.

Fuzzly: Agradecemos o contato também em poder falar um pouco sobre a banda para todos que seguem a October Doom e nosso público em geral.

Bom esse lado de sons da playlist varia muito para cada um de nós, hoje somos caras abertos a diversos formatos da Música, indo desde o blues, rock, metal e outros. Em Cuiabá sempre frequentávamos eventos underground do metal nacional desde nossa adolescência, acredito que isso seja um dos pés iniciais, no entanto, ao longo do tempo fomos absorvendo influencias diversas. Em turnês conhecemos bandas, gente, paisagens, energias e por aí vai, todos elas distintas acrescentando algo.

No início tínhamos uma influência mais crua como pode se escutar nos primeiros registros. Basicamente por falta de conhecimento técnico e prático que a banda apresentava na época. Em 2003 tivemos a oportunidade de sair do país graças ao som precariamente gravado, numa casa abandonada que nos deu a atmosfera ideal pra criar a sonoridade do Fuzzly. Nosso destino foi Argentina, tínhamos contato facilitado pelo baixista da banda que tinha familiares portenhos.  Lá pudemos ver algo que certamente não encontraríamos por aqui, seria um tanto difícil o acesso na época, acreditamos que isso tenha sido um primeiro contato com novas potencias de som e estilo musical.  Pensamos sempre em criar algo novo aproveitando cada fase sem se prender a estilo ou seguimento, assim seguimos buscando evoluir aos poucos, acrescentando sempre algo que ainda não havíamos provado, deixando o som e a essência soarem por si só…

(Fuzzly)
(Fuzzly)

M.O: Em 2003 vocês lançaram uma demo e em 2004 o primeiro EP, “Middle of Nothing”. Como foi a recepção naquela época?

Fuzzly: Entre o release da Demo em 2003 e o nosso primeiro EP em 2004, vivenciamos a música de uma forma diferente, tivemos a oportunidade de nos renovar artisticamente, foi o que saiu dessa experiência fora, nossa releitura de uma época, um espaço de tempo, no meio do nada. Com Middle of nothing já dava para ter uma ideia do que queríamos difundir na época, desde o início sempre deixamos fluir nosso som. Isso nos garantiu parceiras, eventos que adoramos fazer parte, Festival Bananada, Válvula Disco, nosso primeiro contato em SP com Sinfonia de Cães, entre outros que mantemos até os dias de hoje. A recepção do nosso som na época foi boa, fomos recebidos em SP de primeira mão e na nossa própria cidade o Mato Grosso posteriormente.

 

M.O: Do “Like a Flame of Vulcaine”, lançado há 10 anos, até o lançamento de “Vol. II”, lançado em 2014, quais foram as principais mudanças da banda?

Muitas coisas mudaram, desde integrantes (baixistas), tendo o lado bom e lado ruim, tanto no estilo quanto as experiências que a gente vem vivendo no dia a dia, em 2006 quando gravamos o Like a flame, queríamos focar na qualidade do som dessa vez, algo mais profissional comparado ao que havíamos feito no passado, nosso primeiro álbum completo, um som mais pesado e rápido. Tivemos o convite de gravar em um estúdio na Argentina, com a equipe do Claudio, vocalista e guitarrista da banda argentina Buffalo, Sebastian Manta e Gonzalo Iglesias. O estúdio em Buenos Aires foi, por 1 semana palco de gravação do Like a Flame.

No Vol. 2 tentamos buscar um som que refletisse cada um dos integrantes, algo que pudéssemos controlar melhor, num ambiente nosso. A parceria com Jimi Moraes na época, nos impulsionou nesse período de renovação. Gravamos em nosso estúdio em Cuiabá com poucos recursos, o Vol. 2 é um pouco mais instrumental e assim aproveitamos para experimentar outro impacto sonoro da nossa música, um ritmo insistente, irredutível, arrastado e as músicas mais psicodélicas.

(Fuzzly - foto por Billy Valdez)
(Fuzzly – foto por Billy Valdez)

M.O: A receptividade do público mudou de lá pra cá? Os shows estão mais cheios? Quais foram as principais mudanças nesse sentido?

Fuzzly: O nosso som sempre teve muita aceitação e respeito no meio. Sempre mantivemos uma rotina de shows que se acelera nas épocas de turnê, lançamento de álbum etc, quando adotamos um ritmo acelerado de shows em diferentes cidades do país em pouco tempo, priorizando locais que nunca visitamos antes. A quantidade de público nos nossos shows varia de acordo com cada evento em si, participamos de pequenos e grandes festivais como: Do Sol – Natal/RN, Goiania Noise/GO e Noiseground, Buenos Aires/AR, com o apoio da produtora Abraxas que também é parceira em vários eventos no Brasil e fora. Participamos também de várias aberturas de shows (Abraxas) e apresentações locais no Brasil, Argentina e Chile, onde o público é receptivo. Parar de tocar nunca foi opção, tampouco parar de criar.  Abraçamos cada vez mais a questão da produção autoral, incentivo à bandas e artistas de todas as esferas nas proximidades, tornar a música e a arte experiência cultural regional, o que tem na sua terra. O Mato Grosso possui um leque de artistas que se destacam a nível nacional e internacional, apoiamos isso e tentamos contribuir para que isso aumente.

M.O: Na época do lançamento do “Vol.II” vocês fizeram uma tour de divulgação? Como foram esses shows?

Fuzzly: A tour de divulgação do álbum Vol. II durou 3 meses, pudemos divulgar de forma mais ampla e confortável em cidades desde o Nordeste ao Sul do País e bandas sendo elas brasileiras e estrangeiras que ainda não havíamos compartilhado o cenário. Agradecemos muito a Produtora Abraxas por ter abraçado esse momento com a gente. Cada show que fizemos foi diferente e pudemos conhecer bem o pais (Caçapava-do-Sul, Pelotas, Porto Alegre, São Carlos, São Paulo, Rio de Janeiro, Nata, La Plata (ARG) e Buenos Aires (ARG) entre outras.

 

M.O: Atualmente, existe uma cena em construção no Brasil, com várias bandas e produtoras se unindo para alcançar objetivos cada vez maiores. Como está a cena no centro-oeste brasileiro? O que vocês acham dessa união a nível nacional?

Fuzzly: Isso tem uma importância fundamental na continuação da banda, antes não víamos isso acontecer até por sermos de um lugar afastado do tal eixo. Hoje temos o contato com gente de todos os lados se movimentando de forma independente para que se fortaleça sempre mais… o centro-oeste é muito bem falado de suas bandas. Mas o que gostaríamos de colocar é que a nossa linda terra Natal fica um pouco difícil manejar a parte de shows, são poucas casas onde é possível fazer música autoral impossibilitando o crescimento de uma real cena. Ainda assim acreditamos que isso possa mudar a qualquer momento. Basta de covers!

 

M.O: Vocês têm algum plano em decorrência dessa união? Planejam fazer algo em conjunto com outras bandas e produtoras?

Fuzzly: A nossa banda continua ativa desde 2001, o que acreditamos ser um incentivo pra que a cena se fortaleça. Procuramos produzir música sempre, parcerias sempre são bem-vindas, e procuramos nos mobilizar a cada evento local nos unindo a bandas locais e de estados vizinhos.

 

M.O: Existe o plano de lançar material novo num futuro próximo? Alguma novidade pra vir por aí?

Fuzzly: Existe sim, na verdade já temos 7 músicas prontas para gravar, que a gente já vem apresentando em alguns shows como teste, gravaremos o mais breve possível, apresentando um som mesclado entre nossas tendências nos álbuns anteriores, talvez uma pegada mais pesada e corrida, alternando com o progressivo do Vol. II.

 

M.O: Quanto a shows, os fãs do Fuzzly no Brasil podem esperar shows em outros estados? Há planos pra uma tour nacional ou de maior escala?

Fuzzly: Sim, certamente. A prioridade é sempre expandir o som, levando o mais longe possível, cidades e países que ainda não passamos, conseguir realizar a primeira tour europeia da banda seria uma grande ideia e estamos trabalhando para que isso aconteça num futuro próximo. Com o novo material em mãos vamos ver qual será a melhor forma.

 

M.O: Mais uma vez agradeço em nome da October Doom Magazine e deixo aqui meu pedido pra que venham pra Minas Gerais! Fica aqui o espaço para outras observações, comentários e complementos que quiserem fazer.

Fuzzly: Obrigado a vocês mais uma vez, que também são um dos fatores importantes nessa jornada. Queremos muito tocar em Minas Gerais e já com nosso novo material, seria uma ótima estreia!

Um forte abraço a todos que nos acompanham e que estão por conhecer e aos leitores da October Doom Magazine.

Nos vemos! Abraço

Local: Cuiabá/MT
Integrantes:
Dark Jordão – Guitarra/Voz
Rafael Arruda – Bateria
Athus Vinicius – Baixo
Gênero: Stoner Rock

https://fuzzly.bandcamp.com/album/demo-2003
https://www.facebook.com/fuzzlymusic/

Este conteúdo foi extraído da October Doom Magazine #62.
Leia e baixe a revista nos links:
Leitura Online: https://goo.gl/7g82XV
Download: https://goo.gl/1fHjWh