Entrevista Horisont: Novo álbum, hard rock e shows de divulgação

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Crédito: Divulgação

Por: Matheus Jacques

Jogando uma luz poderosa sobre o cenário do rock retrô desde a metade dos anos 2000, a banda sueca Horisont vem trazendo à tona ótimos trabalhos de Hard Rock embasados na influência de nomes como Bad Company, Thin Lizzy e U.F.O.

Conversamos com o Axel, o frontman da banda por e-mail. Confira a entrevista:

Matheus Jacques (October Doom): Parabéns por entrar no catálogo da Century Media Records para o lançamento do poderoso “About Time” e pelo reconhecimento que estão tendo. Poderia falar sobre o conceito por trás do estilo “BioShock”*/terror sci-fi da capa do disco e sobre a temática de “About Time”? “Parece” que esse conceito tem algo a ver com viagem no tempo. (risos)
Axel: Nunca ouvi falar de Bioshock, desculpa. A maioria das músicas em About Time são sobre viagem no tempo. A capa foi feita pelo fantástico artista Henric Jacobson, o mesmo que fez Odyssey. É a mesma história da música About Time, sobre um cara tentando se impedir de voltar no tempo.

MJ: “About Time” estabeleceu uma continuação ao seu predecessor “Odyssey” (2015), ainda suando alma e coração em uma vibe de rock retrô. “Electrical” tem uma aura pulsante, remetendo ao Blue Oyster Cult e U.F.O. “The Hive” tem um tom de “metal clássico” na sua voz. Esse novo álbum é mesmo uma sequência e progressão natural de Odyssey, talvez o ápice na evolução da banda?
A: Nunca tentamos guiar nossa música por um certo gênero, a progressão que fizemos ao longo dos anos é basicamente tentar tocar melhor nossos instrumentos e ter influências de músicas além do rock clássico. Espero que nunca paremos de evoluir.

Capa do álbum

MJ:Quais são os planos para shows e turnês de promoção de “About Time” em 2017? Vocês já tem uma turnê europeia programada para entre fevereiro e abril, certo? E depois?
A: Vamos começar com uma turnê de três semanas na Europa, depois nos Estados Unidos por quatro ou cinco semanas. Aí vem a temporada de festivais, no verão.

 

MJ: O contexto mais recente do Horisont me traz a sensação de que os elementos de bandas de heavy metal e rock progressivo têm aumentado. Bandas como o U.F.O, Rush, Thin Lizzy, Scorpions, etc. Novas ideias nessa linha, ou as ideias apenas fluem naturalmente enquanto estão compondo?  
A: Todas essas são bandas favoritas, então acho que isso vem naturalmente, é a eles que buscamos como inspiraçãos. Mas isso pode vir de qualquer tipo de som ou filme, realmente.

 

MJ: Não apenas sua sonoridade, mas a estética de seus videos nesse estilo VHS (como “Break the Limit” e “Electrical”) e suas temáticas me remetem a esse estilo “revival”, retrô. É algo com o que vocês sempre se identificaram? 
A: Magnus (baixista), que é o cara por todos nossos vídeos até “Electrical”, tem um grande interesse por filmes e, claro, muito de sua influência vem dos filmes dos anos 70 e 80. O único video que ele não dirigiu foi o mais recente, para “About Time”, que realmente não tem a mesma linha dos outros mas é igualmente incrivel.

 

MJ: Vocês e a banda Electric Citizen (EUA) fizeram uma tour nos Estados Unidos no fim de 2016. Foi sua primeira visita ao país, certo? O que pode me dizer da experiência de tocar com essa galera tão longe de casa e como foram os momentos com o Citizen?
A: Nós tivemos um grande momento! A recepção da audiência foi avassaladora. E foi nossa primeira vez lá, então não esperavamos aquilo. A Electric Citizen foi muito bacana e tivemos muita diversão juntos. Houve muito tempo de estrada, algo como 20 horas de direção de tempo em tempo, não estava realmente acostumado a tanto tempo, pelo menos.

 

MJ: Tem algo que preciso perguntar: o que diabos tem na água da Suécia? (risos). Grandes bandas sempre existiram por ai (November e Trettioariga Kriget, por exemplo), mas parece que na última década isso explodiu. A música em geral é culturalmente muito valorizada no seu país?
A: Acho que sim, na escola você tem lições de música de graça e também tem aula de música obrigatória no colégio. A comunidade tambem contribui com você na hora das gravações em estúdio. A água é boa, acho, é agua normal… E se formos à Alemanha tocar, nós podemos continuar tocando nossos instrumentos enquanto tomamos água, a cerveja que é o problema.
(Nota do Repórter: aqui, acho que fica levemente dúbio para o Axel o sentido da expressão “o que há na água da Suécia” em relação a tantas boas bandas por lá)

Crédito: Divulgação
MJ: Vocês trabalharam com uma grande variedade de selos na carreira… Crusher Records, Metal Blade, Rise Above. O que vocês pegaram de boas experiências e aprendizado com cada um deles e como foi o processo com o seu novo selo, a alemã Century Media?
A: A lição, creio, é que realmente não temos ideia do que estamos fazendo com o lance de administração, lançamento, contratos e coisas assim. Tivemos um grande tempo tanto com a Crusher (continuamos trabalhando com o Peter, de lá) quanto com a Rise Above, mas depois que os contratos se encerraram sentimos que era a hora de seguir em frente. Entramos em contato com a Century Media e eles têm nos tratado como reis!

 

MJ: Cara, é tipo uma piada por aqui… e vamos lá. “Please come to Brazil” é algo que se tornou meio folclórico em rede social, algo como as pessoas sempre “cutucando” algumas bandas para virem tocar aqui. Então, acha que um grande “Please come to Brazil” poderia incentivá-los a tocar por aqui?
A: Existiam planos de ir aí no último ano, mas eles foram substituidos pela tour dos Estados Unidos (desculpe). Mas quando tivermos uma tour pronta para aí, vocês logo saberão!

>>> Confira também a resenha para o mais novo trabalho, About Time, aqui.

 

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