Entrevista – Katatonia: Conquistando velhos e novos corações

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Por Rafael Sade

Foram cinco anos de espera, mas finalmente os suecos do Katatonia retornam para mais um tão aguardado show em São Paulo. E antes disso conversamos com o vocalista Jonas Renske sobre os 25 anos de banda, o álbum novo, algumas curiosidades e a expectativa do show no Overload Music Fest.

R.S: Esse ano o Katatonia completa 25 anos de carreira e continua a lançar álbuns de alto nível. Que filme passa na cabeça de vocês após tanto tempo de estrada?

Jonas Renske – Difícil mesmo vê-lo como um filme completo nos dias de hoje, é um tempo tão longo. Mas certamente eu lembro dos nossos primeiros passos de bebê para formar uma banda, as visões e sonhos que tivemos, e em seguida mudar para o que somos agora é um sentimento muito gratificante.

 

R.S: Como têm sido a repercussão do “The Fall of Hearts” e a escolha das músicas para a turnê?

Jonas – Nós ainda estamos tentando obter uma sensação de quais músicas do TFOH que vão funcionar bem ao vivo, estamos tentando algumas músicas e iremos continuar por um tempo. Além disso, por não tocarmos muito na América do Sul, temos que incluir um monte de coisas de outros álbuns recentes. Por exemplo, nós não fizemos a tour do Dead End Kings por aqui, de modo que as pessoas precisam escutar as músicas dele também.

(Katatonia - Foto por Ester Sagarra)
(Katatonia – Foto por Ester Sagarra)

R.S: Após o período do Dead End Kings (2012) a banda lançou trabalhos acústicos, e musicalmente o novo álbum está mais progressivo, com algumas passagens acústicas que rendem momentos muito profundos. As entradas de Daniel Moilanen e Roger Öjersson deram novas perspectivas ao som do Katatonia?

Jonas – Tudo o que fazemos traz novas perspectivas! Os novos membros são uma boa maneira de encontrar novas iniciativas musicais, uma nova intensidade. As partes acústicas que fizemos foi um passo lateral intencional para tentar algo diferente, mas nunca teve a intenção de ser um novo estilo da banda.

 

R.S: Como foi o processo de composição do novo álbum? Qual inspiração e mensagem nas letras que vocês querem passar para o público?

Jonas – O processo de escrita foi praticamente o de costume, mas um pouco mais intenso ao meu ver. Anders e eu escrevemos todas as músicas separadamente, e depois nos reunimos para os retoques finais também com o restante da banda. Liricamente é a história em curso com o Katatonia. Lúgubre, íntimo, às vezes abstrato, às vezes não. É difícil dizer qualquer coisa sobre uma determinada mensagem.

(Capa The Fall Of Hearts - 2016)
(Capa The Fall Of Hearts – 2016)

R.S: Os lyric videos de “Serein” e “Old Heart Falls” são os mais belos que já vi. Quem é o responsável e como traduziram para a tela o que as letras passam?

Jonas – Ambos são feitos pelo diretor/artista Lasse Hoile. Já tínhamos trabalhado com ele antes e sabíamos que ele iria fazer imagens adequadas e belas que seriam um bom espelho das letras.

 

R.S: Jonas, anos atrás você parou com os guturais, tendo os últimos registros gravados no “Rain Without End” (97), do October Tide. Quando canta músicas antigas ao vivo você sente dificuldades em executa-los ou se adaptou de uma forma que não prejudique o restante do set?

Jonas – Nós raramente tocamos músicas tão antigas com vocal gutural, então não é um problema. Se tocarmos algo velho, nós iremos limitar a uma canção. Mas com a nossa discografia crescente, torna-se muito difícil para caber material antigo.

 

R.S: Algo mais pessoal, qual a sua opinião sobre a Europa atual?

Jonas – Europa atual … não sei o que dizer. Um pouco caótico no momento eu acho que, devido a conflitos políticos.

 

R.S: Você escrevia frequentemente, mas não era nada voltado para música e sim algo pessoal. Pretende lançar um livro algum dia ou publicar algo de sua autoria?

Jonas – Não, eu estou muito feliz com a quantidade de escrita que eu faço com as letras para os álbuns, isso é tudo que eu preciso mostrar ao público.

 

R.S: Jonas, você e o Anders são multi-instrumentistas e tocaram diversos instrumentos em todos os projetos que tem e tiveram. Esse aprendizado aconteceu de uma forma natural e progressiva ou aprender vários instrumentos foi algo planejado, pelo Katatonia ter começado como um duo?

Jonas – Não, nada foi planejado. Eu sempre achei que ia ser um baterista. Mas às vezes a vida faz outros planos, haha. Tento pensar de uma forma tão ampla quanto possível quando se trata de fazer música e eu quero ser capaz de me virar com qualquer instrumento quando eu escrevo, então eu tive que aprender a tocar todos de uma forma que funcionasse pra mim.

Ester Segarra
(Katatonia – Foto por Ester Sagarra)

R.S: Essa é a segunda passagem pelo Brasil, e eu conferi de perto a apresentação de vocês. Alguma lembrança em especial desse dia?

Jonas – Muito grato e feliz por ser capaz de voltar. O Brasil na última vez foi um destaque e eu tenho quase certeza que será mais uma vez! Foi um grande público, e eu lembro de ter experimentado a culinária muito saborosa na nossa última estadia.

 

R.S: Muito obrigado por ceder essa entrevista a October Doom Magazine. Esse aqui é o seu espaço para mandar uma mensagem aos fãs brasileiros do Katatonia.

Jonas – Obrigado pelo apoio durante os longos e sinuosos anos de Katatonia. Esperamos ter a sua fé nos próximos anos, e que em breve sejamos convidados a voltar!

Este conteúdo foi extraído da October Doom Magazine #62.
Leia e baixe a revista nos links:
Leitura Online: https://goo.gl/7g82XV
Download: https://goo.gl/1fHjWh