Entrevista: O Necro indo Adiante

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Crédito: Vanessa Cavalcanti

Por: Amilton Jr

Quando falamos em doom metal old school no Brasil, é impossível não falar em Necro. Em atividade desde 2009, a banda de Maceió, Alagoas, tem tocado bastante, lançou recentemente o single “Viajor” e é uma das mais promissoras do cenário nacional. Há pouco mais de um ano, a vocalista e que atualmente vem assumindo o baixo (antes ficava nas guitarras), Lillian Lessa conversou com a ODM e falou um pouco sobre a carreira até então. Nessa edição, batemos um papo com o Pedro Salvador, que agora vem tomando conta das guitarras.

Amilton Jr: Primeiramente, agradeço pela oportunidade de mais uma vez podermos entrevistar a Necro. E já que falamos que você agora está mais nas seis cordas, eu queria saber: a que se deve e como foi essa mudança da guitarra pro baixo? Essa troca é definitiva ou vocês se alternam nos instrumentos?

Pedro Salvador: Agradeço à ODM e aos leitores pela oportunidade de fazer essa conversa. A troca de instrumentos foi acontecendo de forma gradual e natural. Lillian e eu, cada qual em seu caminho musical, gradualmente nos dedicávamos mais ao outro instrumento. E assim foram surgindo músicas novas, sempre inseridas nos shows à medida em que eram compostas. Em pouco tempo já tínhamos material para um disco inteiro nessa formação. A princípio trocávamos de instrumento ao longo dos shows, o que não costumamos mais fazer hoje em dia, por questões práticas de palco. Mas acredito que nada é definitivo: podemos mudar tudo de novo em um próximo disco.

AJ: Quem acompanha o trabalho da banda deve ter notado uma evolução na qualidade sonora das gravações, que ficou ainda mais perceptível no último single lançado, “Viajor”. O que mudou para que isso acontecesse? Como tem sido o processo de gravação dos últimos trabalhos?

PS: Todos os trabalhos anteriores foram gravados em nosso estúdio caseiro, enquanto “Viajor” foi gravada, mixada e masterizada pelo Gabriel Zander no estúdio Superfuzz, assim como todo o disco Adiante. Nossa primeira experiência gravando em estúdio profissional.

AJ: Uma coisa que logo de cara chama nossa atenção no trabalho da Necro são as artes. E tirando um ou outro trabalho, a maioria foi feita pelo Cristiano Suarez que também é de Maceió. Como começou essa parceria e como se dá a concepção das artes? Vocês costumam opinar e dar ideias para as capas?

PS: Era 2011 e estávamos em busca de uma capa para o nosso primeiro disco, The Queen of Death. Lillian, que já conhecia o Cristiano, fez o convite, o qual ele topou na hora. Desde então ele tem criado toda a identidade visual da banda, sempre muito elogiado e chamando muita atenção por onde nossos discos passam. Geralmente jogamos algumas ideias e referências para o Cristiano, mas ele tem sempre liberdade total para pensar a arte e sempre nos surpreende e encanta. Também trabalhamos com Estúdio Cumbuca, de Maceió (na capa do single “Contact”) e com Fernando JFL, do RN (na capa do single “Deuses Suicidas”).

Porto Alegre – Abraxas Fest
Crédito: Billy Valdez

A.J: Do ano passado para cá, vimos que a banda tem ido bastante ao Sudeste para shows e gravações, e acredito que muito se deve ao trabalho realizado com a produtora Abraxas. Como surgiu essa parceria? Vocês têm mais planos juntos para o futuro?

PS: Tocamos no Sudeste desde 2013, quando fizemos os primeiros shows em São Paulo. A partir de 2014 contamos com o apoio da Abraxas na produção de alguns eventos e logística. Ela também colaborou com as gravações do disco no Rio de Janeiro. A parceria com a Abraxas nos abriu muitas portas e nos permitiu circular bastante, o que também só foi possível graças a todas as pessoas, bandas e produtoras que nos acolheram nas cidades

A.J: Em 2015 vocês também lançaram um split com a pernambucana Witching Altar. Existem planos de fazer outras parcerias do tipo? Tem alguma banda nacional que você tem ouvido ultimamente ou que poderia vir a trabalhar junto com a Necro no futuro?

PS: No momento não há planos nesse sentido, mas estamos sempre abertos às possibilidades e oportunidades. Há muito som incrível rolando Brasil afora: Son of a Witch, Psilocibina, Cattarse, Monstro Amigo, Augustine Azul, Wolftrucker, Overfuzz, Rakta… A lista segue indefinidamente.

A.J: Falando em futuro, vocês têm previsão de novos lançamentos? Como anda a agenda de vocês quanto a novos trabalhos?

PS: Estamos lançando o disco novo, chamado Adiante. Nos próximos meses tentaremos tocar o máximo possível para divulgar o álbum, mas sons e ideias já começam a surgir para o futuro.

A.J: Saindo agora um pouco do assunto “música”… Com o recente impeachment e agora a eleição do Trump nos EUA, os nervos estão à flor da pele quando se fala de política e a bipolarização extremada só vem aumentando. Nesse contexto, você acha que as bandas deveriam participar mais ativamente da política ou seria melhor se focassem apenas no som? A Necro se posiciona de alguma forma na política?

PS: Impossível não se posicionar politicamente, principalmente quando se trabalha em comunidade. Mas “política” aqui entendida para além do jogo eleitoral-partidário mitômano, “política” como um processo de construção de um espaço livre, justo e com consciência histórica, na vivência/convivência real das ruas e das pessoas comuns. E não há lugar melhor para participar desta construção do que em uma banda de rock.

A.J: Por fim, agradecemos a entrevista e reservamos esse espaço para você mandar um recado, um abraço ou simplesmente mandar alguém praquele lugar.

PS: Agradeço novamente pelo espaço, que a ODM tenha vida longa! Convido todos a ouvirem nosso Bandcamp e nosso canal do YouTube. No mais, assistam às bandas do rolê ao vivo!


Ficha técnica:

Local: Maceió, Alagoas.
Formação: 2009.

Membros:
Lillian Lessa – baixo, guitarra, vocal, moog;
Pedrinho – baixo, guitarra, vocal, mellotron;
Thiago Alef – bateria e percussão.

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