Entrevista Pete Stahl (Goatsnake): Punk, Doom, Blues… Rock e Metal!

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Crédito: Divulgação

Por: Matheus Jacques | Tradução: Elyson Gums

 

Há algum tempo, estabeleci comunicação com Pete Stahl, o vocalista da icônica banda de doom metal/blues americana Goatsnake e membro de outros projetos bacanas dentro do cenário do rock e do metal. A intenção: conseguir trocar um papo com o cara sobre sua carreira, influências e sobre a Goatsnake.

Felizmente houve uma resposta, e um convite para realizar pessoalmente essa conversa com o cara em um dos shows da tour “The End”, do Black Sabbath, da qual ele é manager da banda de abertura, Rival Sons. Morando em Joinville/SC, a possibilidade mais próxima foi em Curitiba/PR, e para lá rumei no dia primeiro de dezembro para essa conversa com ele, que atenciosamente me recebeu e conversou comigo. A resenha sobre o show do Black Sabbath você confere aqui.

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Matheus Jacques (October Doom): Pete, acredito que uma boa parte do que ajuda o som da Goatsnake a se diferenciar de muitas bandas alinhadas ao doom metal seja o seu vocal, que vai para o lado limpo, melódico, ao invés do rasgado e gutural mais habitual. Isso se deve aos vocalistas que você curtia e que te inspiravam ou simplesmente foi surgindo ao cantar com os caras?

Pete Stahl: Okay, essa é uma boa pergunta! Isso vem de uma série de coisas, influências e inspirações de meus cantores favoritos, especialmente depois que me inspiraram quando eu comecei a cantar: Dave Vanian da banda The Damned e H.R. da Bad Brains. Ambos têm um estilo mais melódico, com sons “gritantes”, sabe? E eu meio que fui inspirado a cantar como eles. Eu não era um cantor treinado, comecei em uma banda de punk rock, originalmente aprendi a cantar construindo canções. Mas esses dois me inspiraram bastante no jeito de cantar.

 

MJ: Antes do Goatsnake você já havia participado de bandas que tinham um som voltado ao hardcore punk e bem mais melódico, como Wool e Scream. Você diria que carregou algo dessa época para a construção de seu jeito de cantar no Goatsnake?

P.S.: Sim. Está tudo conectado. É como se fosse algo como o seu trabalho, no qual você escreven sobre música que você conhece e como um pequeno grupo de pessoas que faz algo como o que você faz, que é escrever sobre bandas. E o que você descobre é um pequeno círculo de pessoas, algo que costuma acontecer no mundo da música, nos cenários da música. Então, comecei em uma banda de punk há bastante tempo, no começo dos anos 1980, e gravamos nosso primeiro álbum, e bem cedo iniciamos um grupo que foi parte da cena que incluiu uma banda chamada Obsessed, que era da minha cidade natal. A Scream, que eu fazia parte, tocou com a Obsessed, mas eventualmente eles se mudaram para Los Angeles, assim como fizemos eu e meu irmão depois da separação da Scream por um tempo, e então formamos outra banda. Mas a Obsessed acabou se transformando na Goatsnake, e a “cozinha” da Obsessed me perguntou se eu queria cantar com eles, que estavam começando uma nova banda, que seria a Goatsnake. Então, está tudo conectado ao Scream, ao Obsessed, à cena de Washington, e tudo se torna uma grande família, quanto mais você estiver na cena fazendo conexões.

Assim, depois da Scream, estive em uma banda chamada Wool, e era uma nova família. E aí teve o pessoal da cena do desert rock, a galera do Queens of the Stone Age, e comecei uma banda chamada Earthlings? com o Dave Catching. É tudo como uma grande árvore, e está tudo conectado. Mas sim, a Scream é onde tudo começou, aquela pequena semente que cresceu, e continuamos tocando. Tocamos logo antes dessa tour (do Sabbath), algumas semanas atrás tocamos na Virginia na première de um documentário de skate chamado “The Blood and Steel”, sobre essa pista de skate na Virginia que usávamos para nos divertir anos atrás. Tocamos em Nova York e na Filadélfia, e temos alguns shows que rolarão em agosto no Reino Unido. Então, sigo tocando com a Scream e com Earthlings?. Não tanto, mas sigo.

 

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MJ: Black Age Blues (2015) marcou o retorno com três quartos da formação original do Goatsnake (você, Greg Anderson, Greg Rogers). Como foi o sentimento e o processo de se juntar aos velhos caras para um novo trabalho?

P.S.: Bom, pra mim foi tipo FINALMENTE. Porque, quero dizer, estive cutucando o Anderson… Greg Um, Greg Dois, não sei qual dos Gregs foi, mas estive pedindo para ele durante um tempo. Mas a vida simplesmente segue o rumo, sabe. Eles têm outras bandas, têm filhos, estão criando seus filhos e a família é bastante importante, então simplesmente não rolava. Os dois Gregs tinham seus trabalhos, o Anderson estava à frente da Southern Lord Records, e tinha o Sunn O))), e o tempo simplesmente não batia. Eu estava sempre cutucando eles, “E aí, vamos fazer isso, será divertido!”, e então finalmente funcionou. Foi mais fácil porque Greg Rogers estava tocando com Scott Renner em outra banda (Sonic Medusa), e isso fez mais simples começar a trabalhar em um material juntos, e eu estava realmente feliz. Tinha tempo. Gravamos o álbum juntos em um lugar, e foi diferente de como na maioria dos outros álbuns, ou eu estava sempre na estrada, gerenciando tour, tocando por aí, e eles tinham de me enviar as músicas nas quais estavam trabalhando, eu colocava os headphones, ouvia. Então, esse álbum foi criado de forma bem mais colaborativa.

 

 

MJ: Quais dessas novas bandas de doom metal você tem conferido mais de perto e curtido?

P.S.: Bem, na maior parte do tempo eu ouço mais as bandas de meus amigos, então isso significa, pra mim, bandas de Washington. Dead Meadow, Pentagram, o velho Obsessed, Saint Vitus, mais as bandas de pessoas que conheço mesmo… Não sou realmente um “cara do doom”, sabe. Eu amo o metal, mas também amo vários outros tipos de música. Eu ouço músicas para as quais me direcionam, sabe. Sou bastante ocupado, realmente não poderia dizer a você uma porrada de bandas na cena, pra ser honesto. Normalmente descubro bandas ao vivo, tem a banda Motorpsycho… Bem, não sou realmente um audiófilo desse tipo de som, gosto de todos os tipos de música.

 

MJ: O que você tem achado desse lance de ser o manager da tour do Rival Sons? Como é viajar com esses caras e o que achou do Rival Sons como banda de abertura para os shows?

P.S.: É um sonho virando realidade para um grupo como o Rival Sons. Tenho trabalhado com esses caras por seis anos, e é como uma família, viajamos o mundo, tocando, e faço o que posso para viabilizar a visão deles e cumprir o serviço.

Bom, é a oportunidade de uma vida poder abrir para o Black Sabbath, uma de minhas bandas favoritas, o primeiro álbum que comprei, e tenho certeza que é o mesmo para esses caras. É pura sorte. É o único jeito de isso acontecer. Foi sorte que Ozzy os tenha visto ao vivo tocando, e assim como eu conheço bandas nos shows, aconteceu o mesmo. Ele estava com a Sharon no show, os viram tocando e ficaram impressionados. E estavam ali, literalmente aguardando, viram o tecladista e foi tipo, “Hey! Você está naquela banda, vocês são muito bons! Temos uma tour mundial vindo, vocês querem se juntar a nós?” E a resposta foi tipo, “Yeah, você está brincando comigo???” Então, imagine, provavelmente tem uma centena de bandas batendo na porta dos managers do Black Sabbath, tentando tipo “Hey, te pago dinheiro! Faço qualquer coisa”. Mas é assim que acontece com as bandas atualmente, algo mais natural e tal. E se você conhece o Rival Sons, sabe que não são tão pesados quanto o Sabbath, mas são uma grande banda de rock. São músicos excepcionais e têm um ótimo vocalista. Eles têm aquele “elemento dos palcos”, de conseguir ganhar e dominar a multidão muito facilmente. Então isso tem funcionado bem no geral, a maioria das plateias do Black Sabbath tem amado os caras, então tem dado muito certo.

 

MJ: Para finalizar: existe alguma possibilidade de você voltar ao Brasil não como um tour manager, mas com os outros caras do Goatsnake para uns shows por aqui? Gostaríamos muito disso!

P.S.: Eu adoraria! Eu não sei quando o Goatsnake tocará novamente, porquê é sempre tipo “um pé na cova” com a banda. Talvez toquemos mais alguns shows, apenas não sei sobre isso nesse momento. Mas, sim, espero que sim algum dia. Eu acredito que nunca nenhum cara do Goatsnake… bem, eu acho que sou o único que já esteve na América do Sul, e estive aqui trabalhando. Não acho que o Sunn O))) já esteve aqui, não acho que a Obsessed já tenha vindo… Bem, tenho certeza que adorariam excursionar pela América do Sul. Apenas é necessário que alguém faça uma oferta, então se você conhecer alguém que gostaria de trazer o Goatsnake, o coloque no meu caminho! Farei isso acontecer.

 

Ficha Técnica:
Local: Los Angeles/EUA
Formação: 1996
Membros: Pete Stahl (Vocal), Greg Anderson (Guitarra), Scott Renner (Baixo) e Greg Rogers (Bateria)
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Nota: Essa entrevista foi publicada na edição #65 da October Doom. Veja aqui!

>>> Confira o vídeo abaixo com o bate-papo que tivemos: