Entrevista SubRosa

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Por Gustav Zombetero

Esta entrevita foi extraída da edição 61 a October Doom Magazine. Leia este e outros conteúdos em online ou faça o download:
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SubRosa foi fundado em 2005 em Salt Lake City/Utah, nesses onze anos de estrada, a banda acaba de lançar o seu 4º disco “For This We Fought the Battle of Ages”. Tivemos a honra de entrevistar a Rebecca Vernom (G/V), ela irá iniciar quem não conhece o maravilhoso som da sua banda, bom desfrute.

Gustavo Zombetero: Saudações! Quando a banda foi formada e como ela se encontra neste momento?

Sarah: Saudações! SubRosa foi formada em 2005 pela Rebecca e por mim. Nos últimos 11 anos evoluímos para a melhor formação que poderíamos imaginar. Rebecca, Kim, Andy, Levi e eu. Hoje somos uma família.

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(foto por Chris Martindale)

G.Z: No primeiro material da banda, a demo “The Worm Has Turned”, a sonoridade era mais crua, notei alguma influência de Post-Punk, já em “Strega” ficou mais nítido o direcionamento da banda. Me parece também que a partir de “Strega” o som sofreu umas influências de Stoner Rock e o violino teve mais ênfase com a entrada da Kim Pack, estou um pouco certo?

Sarah: Concordo, definitivamente. Quando Kim entrou para a banda, tínhamos a tarefa de produzir duas camadas de violinos e fazê-las interagir com o restante do instrumental. As partes de violino receberam mais ênfase e a música se abriu com uma mágica inesperada.

Rebecca: Sinto que nosso som começou a se solidificar mais com Strega… É onde você consegue ouvir de verdade a direção para onde estamos indo.  Às vezes você não pode observar a evolução ou direção de uma banda até ter dois pontos (dois álbuns) que possam se alinhar, com uma seta no fim. O primeiro disco era mais cru, mais puxado para o blues/folk também. Strega mostrou vislumbres das influências de doom metal que começariam a aparecer de verdade em No Help. Então, No Help foi o indicador mais óbvio para os dois álbuns seguintes, More Constant e nosso novo álbum.

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(foto por Chris Martindale)

G.Z: A inclusão de um elemento como o violino nas músicas, algo um tanto incomum nesse tipo de sonoridade, se deve ao gosto por musicalidades diferentes onde ele se faz presente, ou foi simplesmente uma forma de se diferenciar e que veio naturalmente?

Sarah: Haha, a resposta para isso é muito simples. Rebecca e eu queríamos formar uma banda pesada; ela estava aprendendo guitarra e eu violino, então só avançamos pra ver no que ia dar. Encontrar Kim e adicionar outro violino foi um golpe de muita sorte. Nunca planejamos, só evoluiu desse jeito, o que foi muito bom.

Rebecca: Na verdade, eu estava bastante insegura sobre ter outro violino na banda quando SubRosa foi formada, haha. Eu queria que fosse a banda mais pesada, barulhenta e brutal de Salt Lake City – queria que as pessoas agarrarassem os filhos pela cintura e saíssem gritando dos clubes – e não sabia como o violino se encaixaria nessa proposta. Mas é claro, agora todos sabemos que os violinos são as duas joias na coroa da SubRosa. Eles trazem uma ressonância e profundidade emocional às músicas que não estariam lá de outro jeito. Mas foi completamente acidental.

G.Z: Ao meu ver, “More Constant Than The Gods” foi o ápice de criatividade da banda, uma atmosfera densa, sombria e melancólica, estruturas musicais em perfeita harmonia, me sinto leve ao ouvir este disco, tem uma mensagem filosófica, humana… Comente sobre o processo de criação do disco.

Sarah: Obrigado pelas palavras. Somos muito orgulhosos de More Constant Than the Gods. Foi um longo período de composição e envolveu muito trabalho. Houve dificuldades emocionais nas nossas vidas pessoais que colidiram com o processo de composição, incluindo o falecimento da mãe da Rebecca. Tivemos sorte de conseguir transformar estes problemas em uma expressão musical catártica. É a nossa terapia.

Rebecca: Obrigado. Como a Sarah disse, trabalhamos muito, muito, todos os dias, em More Constant than the Gods, e foi difícil encontrar harmonia. Cantei mais sobre coisas pessoais neste álbum do que já tinha feito em qualquer outro trabalho. Como Sarah falou, “The Usher” foi influenciada em partes pela morte da minha mãe. “The Usher” é sobre como às vezes a morte vem como uma doce libertação para aqueles que estão sofrendo. Essa é provavelmente a mensagem humana a que você se referia.

G.Z: O novo álbum será uma continuação natural do que foi “More Constant Than The Gods” ou haverá a adição de algum elemento diferenciado e mudança de visão musical no processo de composição?

Sarah: Nós mal podemos conter a excitação sobre dividir esse álbum com quem quiser ouvir. O processo de composição foi diferente de More Constant. For This We Fought the Battle of Ages, é baseado na novela distópica We, de Yevgeny Zamyatin, de 1921. É a primeira vez que compusemos um álbum inteiro baseado em um livro. Nos interessamos bastante pelos conceitos e problemas trazidos pela obra e isso nos deu muito combustível intelectual e emocional para escrever as músicas.

Rebecca: “The Usher” é minha faixa preferida de More Constant than the Gods, e queremos ir ainda mais nessa direção com For This We Fought the Battle of Ages – explorando músicas com múltiplos movimentos, diferentes cenas ou momentos, quase como uma trilha sonora ou os movimentos de uma ópera ou sinfonia. Estamos tentando alcançar diferentes ângulos e maneiras de escrever os riffs e ousando mais com o que queremos tentar musicalmente.

G.Z: Qual é a opinião de vocês no que diz respeito a esse “embate” entre gravadoras, direitos autorais e liberdade de expressão? (Referente à questão de materiais de bandas sendo divulgados na internet, canais de youtube fazendo esse lance de uploads e apresentar bandas, essas coisas)

Sarah: Não podemos negar ou abominar a existência da pirataria na internet. Às vezes é doloroso pensar no quanto trabalhamos duro e no quanto sofremos para nos mantermos financeiramente. Mas, em primeiro lugar, não fazemos música por dinheiro. E compensação vem de formas diferentes. Porém, é importante que cada artista saiba o quanto vale e o quanto merece ser pago, como em qualquer outra profissão.

Rebecca: É definivamente uma faca de dois gumes. O lado maravilhoso da internet e da pirataria é que espalha sua música. As pessoas que vão ouvir seu disco talvez não fossem o fazer de outra forma, e então talvez elas apareçam em algum dos seus shows. Vinte anos atrás, bandas matariam pelas ferramentas que temos nas palmas das nossas mãos.

G.Z: Dentre os festivais que participaram, vários ao longo dos anos, em qual tiveram a melhor experiência até agora, tanto de organização quanto de feedback do público?

Sarah: Somos sortudos por tocarmos em festivais que geralmente têm uma boa organização e resposta do público. Pessoalmente, meus dois favoritos são o Hellfest na França e o Roadburn na Holanda. Recentemente tocamos do Sled Island Festival em Calgary, Canadá, e os voluntários e a organização foram sensacionais. Vamos tocar no Psycho Las Vegas em agosto e estamos muito ansiosos.

Rebecca: Sarah está certa, tivemos poucas experiências negativas com festivais. Quase todos foram muito bons. Tem algo de especial sobre o Hellfest e o Roadburn. Eu também tenho carinho pelo nosso primeiro show depois de uma longa pausa, no Nathan Carson’s Fall into Darkness e 2012. E também o Psycho California, em 2015.

G.Z: Existe a possibilidade de algum dia nós aqui do Brasil apreciarmos a arte de vocês em nossos palcos?

Sarah: Adoraríamos tocar no Brasil!

Rebecca: Minha cunhada é brasileira! Meu sobrinho e minhas duas sobrinhas falam português. Adoraria visitar o país e seria incrível se SubRosa pudesse tocar aí.

G.Z: A October Doom Magazine agradece a atenção e ficaremos aguardando o novo material da banda, pode encerrar esta da forma que quiser.

Sarah: Obrigado a todos os fãs da SubRosa no Brasil, e ao October Doom Magazine! Adoraríamos vir ao Brasil para alguns shows.

Rebecca: Muito obrigada pela entrevista! Obrigado! (esse ‘obrigado’ ela escreveu em português mesmo).

Links:
http://subrosa.cc 
https://www.facebook.com/SubrosaSLC

October Doom Magazine Num. 61 Capa
October Doom Magazine Num. 61 Capa