Entrevista Trees of Eternity: O vôo do rouxinol

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Por Rafael Sade

 

Trees of Eternity surpreendeu desde o seu primeiro acorde e suspiro na demo Black Ocean (2013) e, neste último mês de novembro, lançou o full length Hour of Nightingale. O quinteto liderado por Juha Raivio, guitarrista da já consagrada banda finlandesa de death/doom Swallow the Sun, contou com a magnífica cantora, compositora e inesquecível Aleah Stanbridge (R.I.P.). Conversamos com Juha sobre os detalhes do início ao fim do lançamento, as novidades e a saudade, em uma das mais emocionantes entrevistas já concedidas à October Doom Magazine.

 

ODM: Conte-nos sobre o começo, como conheceu Aleah e como se formou a parceria?

Juha Raivio – Conheci Aleah no ano de 2008 quando eu estava procurando uma cantora para cantar em uma música do Swallow the Sun, do álbum New Moon (2009). Eu estava buscando uma voz feminina muito aveludada e fantasmagórica, e por pura sorte encontrei o material solo de Aleah da internet. Instantaneamente me apaixonei por sua voz, como eu nunca tinha ouvido uma voz como a dela antes. Era a mais bonita, profunda e poderosa que eu já tinha ouvido.

 

Aleah já vinha de uma carreira na música dark ambient. Como foi unir essa atmosphera ao death/doom?

Ela tinha tanta emoção e profundidade em sua voz que poderia cantar com qualquer banda ou estilo de música neste mundo e transformá-lo na coisa mais linda. Então, como ela tinha feito muita música dark ambient e acústica antes, foi muito natural e fácil de fazer músicas com ela e trabalhar com sua voz para o Trees of Eternity. Foi 100% natural e adequado para ela com certeza. Sua voz tem tanta luz e escuridão que o estilo dela funcionava muito bem com o doom, além do fato de que ela amava death e doom metal.

 

O lançamento da demo Black Ocean trouxe projeção mundial ao Trees of Eternity. Como foi a receptividade da demo?

Foi fantástica. Tínhamos acabado de fazer as músicas da demo para nós mesmos para ver e ouvir se poderíamos escrever música juntos e ver se deveríamos montar uma banda. Mas a demo saiu tão fácil e tiveram tantas músicas boas que só queríamos mostrar às pessoas o que esperar no futuro e colocamos a demo no YouTube. Nunca promovemos a banda além do que colocar a demo e um vídeo para a canção “Sinking Ships”, e as pessoas realmente amaram o que tínhamos criado. Então eu estou muito feliz e tão orgulhoso, e também um pouco triste, em mostrar o álbum finalmente para o mundo.

Crédito: Divulgação

 

A escolha para o vídeo da música “Sinking Ships” foi planejada pelo fato de na época a banda ser um duo?

Sim. Esta é uma canção que só tinha uma guitarra acústica e a voz de Aleah, por isso foi fácil de fazer um vídeo simples com ela. Nós também amamos tanto essa música que queríamos fazer um pequeno vídeo dela por fora para os fãs.

 

Desde o princípio o projeto era apenas de vocês dois. Qual foi o critério para a entrada dos outros integrantes para enfim o Trees of Eternity se tornar realmente uma banda?

Primeiro de tudo, eu queria encontrar pessoas que são doces e legais, pessoas que são fáceis de conviver em turnês e em gravar músicas. Kai Hahto, Fredrik e Mattias Norrman eram todos bons amigos, meus e de Aleah já de antes, então foi como se fosse uma combinação dos deuses que nós tivéssemos essa formação na banda. Kai, Mattias e Fredrik são pessoas maravilhosas e músicos incríveis que tocam com uma emoção enorme. Era exatamente o que queríamos da banda e das pessoas que estariam nela, e tivemos muita sorte em tê-los conosco.

 

Após o lançamento da demo Black Ocean, o full length já vinha sendo preparado. Como foi o processo de composição de Hour of Nightingale?

Demorou muito tempo, mas foi muito fácil como toda a música que eu e Aleah fizemos juntos. Demorou porque Aleah sempre quis escrever letras ou música só quando estava com humor, emoção e atmosfera 100%. Ela poderia passar alguns meses esperando o momento certo em seu espaço, para gravar seus vocais. Cada nota ou palavra que ela já escreveu e gravou tinha que ser 110% na verdade, para que ela pudesse esperar o momento certo absoluto, enquanto fosse necessário. Ela não faria por menos.

 

Crédito: Divulgação

 

Como foi a escolha das participações especiais no álbum? Vocês têm contato pessoal com Nick Holmes (Paradise Lost) e Mick Moss (Antimatter)?

Tenho sorte de conhecer tanto Nick quanto Mick pessoalmente, já que eu tinha viajado com ambas as bandas deles anteriormente. Ambos são ótimas pessoas e músicos importantes para nós. Então, eu e Aleah ficamos tão felizes de tê-los no álbum, já que somos grandes fãs do Paradise Lost e também do Antimatter. Foi um momento de muito orgulho trabalhar com eles.

 

Hour of Nightingale foi lançado no dia 11 de novembro de 2016. Como têm sido a repercussão?

Bom, este é o álbum da nossa vida, por isso é um pouco estranho ver comentários e números sobre ele. Mas o feedback tem sido maravilhoso, e as pessoas realmente começaram a descobrir Aleah e sua voz, e finalmente a sua música. E essa é a razão pela qual este disco está saindo agora e em breve haverá mais músicas dela, já que estou montando seu álbum solo e um outro no qual faço uso de suas letras e poemas. Este mundo realmente precisa de uma voz e de palavras como as dela agora.

 

Aleah nos deixou em abril deste ano sem poder ver a sua obra finalizada. Conte-nos quais as melhores lembranças que você possui dela?

Aleah ouviu 99% do álbum pronto e eu e ela o amamos com todo o nosso coração. Ele realmente saiu como queríamos. As melhores memórias são apenas as de escrever tanta música importante e bonita com ela, além de termos convivido juntos por sete anos. Meu coração está cheio de amor e belas lembranças dela. Ela era o mais mágico e belo ser que eu já conheci na minha vida.

 

Obrigado, Juha. Nós da October Doom Magazine e todo público sentimos muito pela sua perda. Mande uma mensagem para os fãs da banda que possuem a voz da Aleah para sempre em seus corações.

Obrigado a todos por suas maravilhosas palavras sobre Aleah e sua música. Por favor, compartilhem sua música e seu legado para o mundo, tanto quanto o possível. Este mundo precisa de uma voz e palavras como a dela.

Crédito: Divulgação

 

Ficha Técnica:

Formação: Aleah – RIP (Vocal – 2016) Juha Raivio (Guitars), Kai Hahto (Bateria), Fredrik Norrman (Guitarra), Mattias Norrman (Baixo)

Fundada em 2009

Local: Kalmar län, Suécia

Links: https://www.facebook.com/pg/treesofeternity
https://treesofeternity.bandcamp.com