Neurosis em São Paulo

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Crédito: Edi Fortini https://www.facebook.com/EdiFortini/

Resenha por: Rafael Sade
Fotos por: Edi Fortini

Nem o mais otimista fã da banda poderia imaginar que um dia Neurosis pisaria em solo brasileiro. Quando o show foi anunciado no final do primeiro semestre, o que mais se viu nas redes sociais foram fãs extasiados com a notícia e muita expectativa para esse dia que iria se tornar um dos melhores do ano.

E não é para menos: Neurosis possui 32 anos de carreira começando pelo crust/punk iniciado na metade dos anos 80. No início dos anos 90 mudou a sonoridade, sendo a principal responsável pela criação do “post-metal”, que une os sub-gêneros hardcore e metal. E com o passar dos anos foi incluindo cada vez mais sonoridades diversas, entre elas: o tribal, sludge, ambient, progressivo e o doom. Entre os álbuns mais aclamados, podemos citar como exemplo, a trinca: Through Silver in Blood (96), Times of Grace (99) e A Sun That Never Sets (2001), que influenciaram mais de uma geração.

E esse encontro de gerações que se viu nessa data, muitos fãs e admiradores encheram o Carioca Club em São Paulo/SP nessa sexta feira, entre eles muitos integrantes de bandas, imprensa, blogs, produtores, pessoas do grindcore, punk, do metal, pessoas amigas pessoalmente, amigos que se trombam em momentos como esse, uma ou duas vezes ao ano e amigos de internet que enfim se encontraram nesse verdadeiro evento do ano que foi esse show.

Crédito: Edi Fortini
https://www.facebook.com/EdiFortini/

 

Os shows começaram até antes do combinado, muito bem representados pelas aberturas primeiramente, com os espaciais do Saturndust e os claustrofóbicos do Deaf Kids.

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Às 21h os norte-americanos do Neurosis finalmente fazem sua estreia no Brasil. E que show meus amigos, foi uma aula de como se tocar hardcore com metal. Jason Roeder e sua bateria tribal, Noah Landis e seus samplers e efeitos que fazem a atmosfera das músicas ficarem tão únicas, Dave Edwardson e seu baixo estrondoso, soltando graves como marreta e seus urros ensurdecidos capitaneados por Steve Von Till e Scott Kelly e seus timbres de guitarra afiados como uma navalha, intercalando vocais ora falados, ora angustiantes que nunca deixam de remeter aos tempos de hardcore.

 

Com uma hora e meia de show, regada de muita microfonia do peso extremo aos dedilhados de ambientações, o público pode conferir de perto de riff a riff, um dos melhores shows do ano.

Crédito: Edi Fortini
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Músicas do trabalho recente Fire Within Fires (2016) se intercalavam com clássicos indispensáveis que fizeram o tempo voar. E pela quantidade de clássicos daria muito bem para terem feito mais uma hora e meia de apresentação. Como vocês podem perceber, é praticamente impossível passar o sentimento de estar presente a esse show. Inesquecível!

 

Obrigado Abraxas por pouparem que muitos fãs viajassem para outro país para conferir essa lenda, pois lenda é o que vocês propuseram com esse evento. Uma produção impecável, novamente citando a qualidade na condução da divulgação e do espetáculo, a antecipação das apresentações para evitar atrasos é digna de exemplo a muitas produtoras acostumadas com shows internacionais.

Crédito: Edi Fortini
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Agradecemos a Felipe Toscano, Erick Tedesco e todos que fazem da produtora Abraxas uma das mais competentes do país. Acostumados a trios do Stoner Doom mundial, nota-se uma nova empreitada com a vinda do Neurosis e um salto dinâmico para a história da Abraxas. E Eyehategod vem aí!

 

Para ver mais fotos desse show, clique aqui.

 

Set list:

A Shadow Memory, Broken Ground, Fire is the End Lesson, Beding Light (Fire Within Fires – 2016)

Water is Not Enogh, At the End of the Road (Given to the Rising – 2007)

Stones From the Sky (A Sun That Never Sets – 2001)

The Doorway (Times of Grace – 99)

Locus Star (Through Silver in Blood – 96)

Lost (Enemy of the Sun – 93)

Zero, Takeahnase (Souls At Zero – 92)