October Doom Entrevista: Komatsu

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No mês de maio o Komatsu desembarca no Brasil para uma incrível turnê que passa por oito cidades e tocando com diversos nomes do Stoner Nacional. 

Confiram agora uma entrevista que fizemos alguns dias atrás.

Matheus Jacques: Você poderia nos dar uma ideia de quais bandas e gêneros deram influências para construir a sonoridade da Komatsu? Komatsu não é exatamente o tipo mais “ortodoxo” e comum de Heavy Rock, eu diria.

Maurice: Eu realmente sou influenciado por música punk antiga. Eu costumava ouvir muito de Dead Kennedy, Black Flag, Crass e BGK (banda holandesa de punk rock) e muitos mais. Eu ainda costumo ouvir isso, mas também os momentos mais recentes do Kyuss, Fu Manchu e Neurosis encontraram o seu caminho para o meu tocador de música e me cativaram!

M.J: Em 2014 vocês caíram na estrada com John Garcia (Kyuss / Unida / Hermano / Slo Burn), e eu acho que a banda Steak estava naquele show também. Como esta excursão aconteceu e qual foi o feedback da viagem?

Maurice: Fizemos um cover de ‘July’ da Slo Burn e lançamos em um 10′ split com a banda Desert Storm. Mais tarde naquele ano tocamos no festival Speedfest, onde John também estava tocando com o Vista Chino. Perguntamos a ele se ele gostaria de se juntar a nós no palco e cantar “July” com a gente. E ele fez! Foi incrível.

Alguns meses mais tarde ele nos contatou e perguntou se nós queríamos nos juntar ele em uma tour. Claro que dissemos sim! Foi uma turnê de 6 semanas através da Europa e nós tivemos um ótimo tempo com John Garcia e sua equipe. Tivemos boas respostas em nossos shows e ótimas resenhas das apresentações. Depois daquela tour, a banda Mondo Generator nos contatou para nos juntarmos a eles em sua tour europeia.

M.J: Em seu mais recente álbum “Recipe For Muder One”, lançado via Argonauta Records (selo italiano), há esta faixa “Lockdown” com a participação de Nick Oliveri no vocal. A canção é destaque em seu trabalho “No Hits At All – Vol.1”, lançado pela Heavy Psych Sounds. Vocês chamaram o cara para fazer essa parceria acontecer ou ele veio até vocês já pensando em adicionar este som mais tarde na compilação?

Recipe for Murder One – Set/2016

Maurice: Fizemos um tour com Nick e Mondo Generator em 2015 e nosso álbum estava quase pronto. Durante a turnê perguntamos a Nick se ele queria cantar uma música em nosso álbum. Ele estava muito animado e logo após a turnê ele fez os vocais em ‘Lockdown’ e backing vocal em ‘Recipe for Murder One’. Ele fez um trabalho brilhante. Ele nos perguntou mais tarde se estava ok lançar ‘Lockdown’ em seu registro. Eu acho que ele gostou.

M.J: De fevereiro a março vocês estarão excursionando com a banda The Freeks, que contém nomes icônicos da cena do stoner rock como Tom Davies (NEBULA) e Ruben Romano (FU MANCHU/NEBULA). Esses “clássicos” do stoner rock serviram de grande inspiração para seu estilo de música ou suas referências vêm de coisas mais pesadas, densas?

Maurice: Sim, enquanto estou respondendo essa entrevista estamos partindo para Bolonha, Itália para shows com The Freeks, que são caras adoráveis. Com certeza Nebula e Fu Manchu são grandes inspirações. É legal conhecer as pessoas por detrás das bandas que você ouve e ouvir suas histórias e experiências.

M.J: Agora, como deve ser: a tour no Brasil. Foi dezembro do ano passado e vocês anunciaram brevemente que maio de 2017 traria vocês aqui. Você poderia falar um pouco sobre a concepção desta primeira turnê brasileira?

Maurice: Nós fomos convidados a visitar o Brasil agora por alguns anos, mas o pouco tempo que tivemos foi para turnês européias. Mas agora, com nosso novo album, abrimos algum tempo para tocar o Brasil. Deve ser ótimo.

M.J: Você já tem uma idéia de quantos shows serão realizados aqui e alguns dos lugares onde vocês devem tocar?

Maurice: Estaremos de turnê pelo Brasil de 12 de maio a 21 de maio. Ainda não temos a programação final, mas assim que tivermos a informação, a publicaremos no Facebook. Então, mantenha seus olhos e ouvidos abertos e confira nosso Facebook.

(Nota:  na época em que a entrevista foi respondida, as datas no Brasil ainda não haviam sido divulgadas com exatidão, confira a programação da turnê na imagem abaixo)

M.J: O que você sabe sobre o país, especialmente sobre o público e a cena de rock?

Maurice: Do Brasil só sabemos o que ouvimos de outras bandas. O que eu ouvi é que há uma agradável cena de fãs de rock. Então sim, estamos muito animados para ir para o Brasil e rasgar o teto de cada local que onde iremos tocar, e também conhecer os novos fãs no Brasil.

M.J: Talvez você saiba, talvez não … nós temos uma guerra no nosso país sobre a legalização da maconha e outras drogas, e sobre os efeitos violentos do tráfico de drogas. Tanto quanto sei, o seu país lida com esta situação com uma política de tolerância … o consumo nas lojas de café, a tolerância para pequenas quantidades de drogas leves, etc….. Você vê o caminho que seu país seguiu como o mais correto?

Maurice: Bem, isso é fácil: acho que a guerra contra as drogas não serve a ninguém. Na Holanda, é legal fumar drogas leves e não temos mais viciados do que países onde é ilegal. O dinheiro para combater o uso de drogas pode ser usado para informar as pessoas sobre os riscos. Proibir algo não o faz ir embora. Claro que eu não sei tudo sobre os problemas de drogas no Brasil, mas é isso que eu acho.

M.J: Para fechar a conversa: seus atos ao vivo são altamente elogiados por várias pessoas e canais de comunicação. O que as pessoas que irão a seus shows por aqui devem esperar?

Maurice: Um total caos de Rock trazido a vocês com fúria e vingança por um grupo de jovens famintos e muito atraentes.

Mais informações sobre a banda em:
http://www.komatsurock.com
https://www.facebook.com/komatsurock/