Os longos tentáculos da psicodelia pesada!

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Por Matheus Jacques

Entorpecentes. Neuroses. Condição humana. Estados alterados. Octopus. Lançando seu novo EP, chamado Jahaz, a banda paulista segue sua senda de música psicodélica pesada atravessando as águas do underground brasileiro. O baixista Vitor Ferraz dá a letra sobre o novo lançamento e os caminhos trilhados pelo grupo.

E aí! Grande honra tê-los aqui na October Doom.
Vitor Ferraz: Nós que agradecemos pelo espaço.

Octopus – Jahaz – Capa

Jahaz é o trabalho que dá sequência à estreia de vocês, o ótimo “Neptune” (2012). O EP contém agora quatro faixas e segue com a infusão de elementos progressivos e “metalizados” na psicodelia. Qual o conceito de Jahaz, sua história?
Vitor Ferraz: Em 2015 participamos de um concurso do estúdio The Wave Music Place, de São Bernardo do Campo, e ganhamos – o prêmio era a gravação de um EP. Decidimos por gravar aquilo que estávamos trabalhando na época. A música “Sober Sailor”, por exemplo, era para estar no Neptune, as duas outras são da nossa fase de transição. Tentávamos adicionar mais influências de stoner rock, rock progressivo e psicodelia na época. Eu diria que este EP é uma prévia do que é nosso som atual. Acredito que o atraso de dois anos entre ganhar o festival e gravá-lo foi benéfico, pois pudemos evoluir as músicas e planejar tudo com mais cuidado. Em Jahaz apresentamos músicas de 2014/2015 executadas por nós em nossa melhor forma, em 2017.
Quanto à escolha de “Into the Void”, todos nós gostamos de Black Sabbath e esta música é animal! Apenas isso. Tínhamos como outra opção gravar “Killing Yourself to Live”, mas a banda foi unânime quando teve de escolher entre as duas.

Conferindo algumas das letras de Neptune, víamos a Octopus versando sobre vícios, angústia da condição humana, sobre sentimentos conflitantes. A temática que os inspira segue a mesma no novo trabalho?
Vitor Ferraz: De certa forma, sim, principalmente a parte dos vícios. As letras abordam o uso de drogas neuroativas lícitas e ilícitas, dos benefícios que podemos obter delas, do perigo do uso indiscriminado dessas substâncias e, por último, do quanto precisamos revisar nossos conceitos de sobriedade como sociedade. Um detalhe interessante é que Jahaz é uma gíria para chapado, doidão, em urdu, a língua falada no Paquistão. O som da palavra nos soou muito bem e era semelhante com a palavra Jah, o que nos incentivou a criar uma deusa chamada Jahaz, que é a imagem que ilustra a capa do EP. Jahaz é a deidade das plantas, do bem-estar e das visões auspiciosas.

 

Existe algo em andamento referente a associar Jahaz a algum selo ou o lance está totalmente no campo da “conta própria” mesmo?
Vitor Ferraz: Por enquanto estamos por nossa conta, mas gostaríamos de fechar uma parceria com alguma distribuidora/selo para ampliar as possibilidades de promover nossa música.

Como anda a agenda de vocês? Andam rodando bastante por São Paulo, conseguindo levar sua sonoridade a lugares bacanas e bons públicos? Quais os últimos giros dignos de nota nesses últimos tempos?
Vitor Ferraz: Ainda estamos organizando as coisas para o segundo semestre de 2017, firmando parcerias e criando condições para que surjam shows e tours. Estamos procurando inicialmente shows para os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, e mais para o final do ano Minas Gerais e a região Sul. Aliás, bandas desse Brasilzão, se vocês curtiram nosso som, entrem em contato! Vamos trocar uma ideia e organizar rolês juntos!

Vocês acham que a música feita no país atualmente é sempre efêmera, de consumo imediato e rápido se extinguindo rapidamente, ou que ainda é possível fazer algo pra durar, deixar um legado?
Vitor Ferraz: Sim, achamos, mas não vemos problemas em consumir música apenas para diversão. Ficar só na música cabeçuda também faz mal. Logicamente que a música fácil é o nicho que mais lucra, mas existe outro para as pessoas que querem conteúdo e qualidade musical e é onde nós queremos nos inserir. Sobre fazer algo que possa durar, preferimos dizer que fazemos a música que acreditamos, porque sempre terá alguém (não importa se são cinco ou cinco milhões de pessoas) que se identificará com aquilo, e essa é a parada. Quando dá “aquela coisa” depois que você escuta um som que te agrada.

A música da Octopus, por exemplo, qual a visão de vocês sobre o que estão produzindo e o que pretendem deixar com sua obra? Existe um pensamento mais aprofundado sobre isso?
Vitor Ferraz: Acreditamos que somos extremamente honestos com nossa música e que estamos sendo capazes de fazer um som pesado, mas extremamente versátil. Esperamos ser uma banda cuja música tenha o poder de unir os gostos, não importando o estilo de preferência do ouvinte.

Quais os sons que vocês andam escutando e curtindo bastante, e algum que tenha batido com a vibe da sonoridade que a própria Octopus desenvolve?
Vitor Ferraz: Nossas influências vão de Kyuss a Slayer, de Pink Floyd a Exodus, de Rush a Hendrix. Gostamos de rock, seja ele pesado, chapadão ou progressivo. De certa forma, essa miscelânea forma uma substância sólida para moldarmos nosso som. Mas não ficamos só no rock, os gostos são variados dentro da Octopus. Nosso guitarrista Gabriel Piotto, por exemplo, é DJ no duo de rap Sujeito Coletivo. Enfim, escutamos de tudo. Prezamos pela diversidade musical pra não cairmos nos vícios de determinados estilos.

Quais são os próximos planos envolvendo seu novo trabalho? Turnês, produção de mais material envolvendo o EP e sua arte, o que vão mandar a seguir?
Vitor Ferraz: Queremos dar um giro por São Paulo e região inicialmente, e aos poucos abrir espaço pra irmos para outros estados. Queremos muito ir pro Sul, estamos devendo uma tour por lá, especialmente. Tínhamos marcado umas datas com nossos camaradas do Ruínas de Sade no começo de 2016, mas não deu certo, ou seja, queremos tentar de novo. Viu, rapazes? Este ano vai ser para expandirmos nossos horizontes e firmarmos novas parcerias. Sobre o Jahaz e os planos que o envolvem, queremos divulgar o EP o máximo possível, tentar fechar com um selo que curta nosso som, vender o merchan e garantir uns trocados pra ajudar na gasolina. No final de 2017 lançaremos um single com duas músicas inéditas para preparar terreno para um full length em 2018. Ou seja, ainda tem coisa nova da Octopus esse ano!

Esse derradeiro espaço fica para que vocês possam explanar qualquer coisa que queiram. Novamente, uma honra ter tido esse espaço aqui com vocês.
Vitor Ferraz: Nós que agradecemos por esta oportunidade, a honra é nossa! Gostaríamos também de agradecer todo mundo que fez o EP acontecer: Conrado Lopes, do The Wave Music Place, nosso produtor Yukio Hara, João Fagim pelas incríveis fotos da capa, contracapa e demais imagens de divulgação, e a todo mundo que acredita na Octopus e apoia essa parada escutando nossa música e aparecendo nos shows pra curtir com a gente. Fiquem ligados para mais notícias e escutem o EP Jahaz no talo!

Links:
https://www.facebook.com/pg/octopusphm 

https://bandaoctopus.bandcamp.com