Overload Music Fest 2017 – Resenha do Evento

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Em 16 de setembro de 2017 aconteceu a quarta edição do Overload Music Festival. Um evento que já é esperado pelo público Brasileiro todos os anos, valorizado por trazer nomes do Rock e do Metal Internacional.

Nesta edição, todas as atrações foram estreias em solo brasileiro, e a cobertura dos shows do John Haughm, Les Discrets, Sólstafir e Enslaved você confere agora!

John Haughm

Desde sua primeira edição muitos fãs pediam a presença dos norte-americanos do Agalloch em alguma edição do Overload Music Fest, algo que caiu por terra após o anuncio do fim das atividades da banda em 2016. Porém, a presença do seu fundador e vocalista na edição de 2017 pegou muita gente de surpresa.

E foi assim às 17:30 que abrindo o festival, sobe ao palco de forma misteriosa, com chapéu, óculos escuros, John Haugm empunhando a sua guitarra, lembrando Fields of the Nephilim. Mas ao contrário do que muitos pensavam, John trouxe sua sonoridade distorcida de sua carreira solo, um set elétrico com muitos efeitos criados por várias camadas de instrumentos através de pedais, abstratos, renegados, distópicos, acompanhado por um telão que mostrava em todo o seu set uma paisagem de montanhas e cenários que lembrava o velho oeste.

Do princípio ao fim o público ficou hipnotizado, estagnado, ansioso, nervoso, impaciente, curioso, confuso. E John Haughm saiu do mesmo jeito que entrou: mudo e calado.

Les Discrets

Bandas francesas estão caindo no gosto do público brasileiro. E após verem Alcest vindo em duas das quatro edições, muitos pediam para que enfim outra banda querida estreasse em solo tupiniquim.

Após uma pausa, às 18:30 estreava no Overload Music Fest os franceses do Les Discrets, trazendo suas influências post-rock/Shoegaze em sua sonoridade. Iniciando com músicas do seu primeiro disco (Septembre et Ses Dernières Pens/2010), “L’ Échappée “e “Les Feuilles de l’Olivier”, seu fundador Fursy Teyssier trouxe ao festival uma excelente formação fixa para shows, mas com a ausência de sua vocalista e também esposa, Audrey Hadorn.

Mesclando músicas dos seus três discos, os destaques foram para as recentes (do álbum Prédateurs/2017) “Virée Nocturne”, e “Le Reproche” que levam a banda para uma sonoridade trip hop/indie rock, o que destoava das músicas dos discos anteriores. Mas que ao vivo mostrava um peso maior do que nas músicas de estúdio.

Após mais alguns sucessos, da metade ao fim e aos gritos da plateia durante e após as músicas, os discretos finalizaram com os sucessos dos seus dois primeiros discos (em especial Ariettes Oubliées…/2012), com a trinca “La Nuit Muette”, “La Traversée” e ” Songs for Montains”, do primeiro lançamento.

Com mais de uma hora de show (e que show) e ovacionado por uma audiência feliz pela presença, os Les Discrets tiveram certeza que um lugar para retornar seria novamente o Brasil.

Sólstafir

O Sólstafir era certamente e a banda mais esperada da noite. Os Islandeses entraram no palco e no mesmo instante o público já havia sido tomado pela animação e carisma do vocalista, que apontava na direção dos fãs e os convidava para sentir Silfur-Refur, primeira faixa a ser tocada.

Ótta e Náttmál foram as músicas seguintes, levando o vocalista Aðalbjörn Tryggvason a pular de um lado para o outro, animando ainda mais o festival. A proximidade que se sentia da banda com o público era algo realmente incrível.

Ísafold e Djákninn vieram depois, e entre brincadeiras e músicas tão bonitas, eu percebi que uma menina chorava compulsivamente. Não era para menos Fjara tocava naquele momento, e os arrepios subiam pela coluna, como se o homem de coração pesado da letra fosse eu.

Svartir Sandar veio de uma forma curiosa, Aðalbjörn buscou pelo público alguém que pudesse traduzir o nome da faixa “Areia Negra”. Por fim, Goddess of the Ages – música pedida desde o início do show – encerrou a apresentação da banda, com uma demonstração de equilibrismo do vocalista que caminhou sobre as grades de proteção, cumprimentando todos que pudesse alcançar. Perdeu até o equilíbrio, mas não o tom, e foi realmente um show incrível.

Enslaved

Enslaved foi a banda mais experiente dessa edição do Overload. Em 26 anos de existência, foi a primeira visita dos noruegueses ao Brasil, e essa espera era percebida pela euforia da banda no palco.

A banda abriu o show com Ruun, seguida por Death in the Eyes of Dawn. O solo feito pelo guitarrista Arve Isdal na faixa Ground foi algo realmente impressionante, e o que parecia que não poderia ficar melhor, ficou. O público batia cabeça violentamente conduzidos pela energia do quinteto.

Ethica Odini, One Thousand Years of Rain e Heimdallr foram as próximas e o que se via era intensidade em cada gesto da banda, que animava o público invocando gritos dos que ainda tinham garganta.

Vetrarnótt e a violenta Allfǫðr Oðinn vieram na sequência, e confesso que naquela altura do campeonato, eu já estava esgotado, e mesmo assim, os fãs continuavam ensandecidos com o poder do Black Metal Norueguês.

Isa foi a nona música do Enslaved e o Overload Music Fest 2017 já começava a deixar saudades. 4 atrações que nunca haviam pisado em solo brasileiro e que certamente vão voltar para seus países de origens contando o quanto o público brasileiro é quente e vivo.

A banda encerrou sua apresentação e o Festival com Slaget i skogen bortenfor, do EP Hordanes Land de 1993.

Resenha por Rafael Sade e Morgan Gonçalves
Fotos por Edi Fortini