Resenha Darkher – Realms

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Crédito: Divulgação

Por Leandro Vianna

 

Normalmente, quando pensamos em uma música que soe sombria, claustrofóbica e que possua uma atmosfera de escuridão, já nos vem à cabeça guitarras pesadíssimas, vocais guturais assustadores e outras coisas do tipo. Mas nada pode ser mais equivocado do que esse tipo de pensamento, e Realms, primeiro álbum do Darkher, vem para provar isso de uma vez por todas.

Para quem não conhece, o Darkher é um projeto da inglesa Jayn H. Wissenberg (vocal/guitarra), que é acompanhada de seu marido, o guitarrista/baixista Martin T Wissenberg, e do baterista Shaun ‘Winter’ Taylor-Steels (ex-My Dying Bride e Anathema).

 

Musicalmente, passei um tempo buscando uma forma de definir a sonoridade do grupo. Cheguei à conclusão que me soa como se a Chelsea Wolfe se juntasse ao Sólstafir, mas com a Loreena McKennitt nos vocais. Ainda assim, por mais contraditória que minha descrição possa parecer, o Darkher não se parece com nada disso, já que transpira identidade própria. Sua música mescla elementos de folk, gothic, post rock, ambient e doom metal no mesmo caldeirão, fazendo surgir daí uma música sombria, emocional e no mínimo inquietante.

 

O maior destaque certamente é a voz de Jayn. Sinceramente, gostaria de descobrir seu segredo, pois ela consegue soar ao mesmo tempo frágil e sombria. Aliás, essa dicotomia permeia todas as nove canções aqui presentes, já que conseguem despertar no ouvinte emoções totalmente díspares. Sentimentos como medo, melancolia, serenidade, êxtase, tudo vem à superfície durante a audição de Realms. O trabalho de Martin também ajuda muito nisso, já que não é exagero dizer que o contraste entre as guitarras e os vocais são o ponto central de várias composições.

Capa de álbum

O álbum abre com “Spirit Waker”, de clima bem sombrio e que serve de introdução para “Hollow Veil”. Aqui já temos a primeira amostra do que iremos encontrar. Guitarras suaves, atmosféricas, com riffs de pegada doom, travando um embate com os vocais de Jayn. Soma-se a isso o trabalho de bateria de Shaun e temos um clima para lá de sombrio. A faixa seguinte, “Moths”, mantém essa mesma pegada, com destaque para seu início, apenas com violão e voz. Já “Wars” faz jus ao título, mais uma vez repetindo o embate entre a voz e a guitarra, enquanto é guiada por uma bateria marcante. “The Dawn Brings a Saviour” vem para acalmar as coisas. Acústica, com um quê de post-rock, tem um clima totalmente místico e esotérico. As duas partes de “Buried” trazem de volta o clima de escuridão ao trabalho, com bons riffs e uma atmosfera bem sombria.

O ponto mais alto de Realms se dá com suas duas últimas faixas. “Foregone”, presente no aclamado EP de 2014, The Kingdom Field, traz novamente o post-rock à tona, além de possuir uma melodia dessas que ficam marcadas na memória do ouvinte. Já “Lament” é o encerramento perfeito, com toda a sua carga emocional e seu clima quase transcendental.

 

Confesso que poucas vezes tive a chance de escutar canções com tanta carga emocional quanto as que apreciei aqui. Com uma melancolia perturbadora, e um lado espiritual muito aflorado, Realms é uma verdadeira viagem para a alma. Sua atmosfera intensa e inquietante é capaz de te levar da serenidade à angústia em questão de minutos, em um verdadeiro turbilhão de sentimentos. E, convenhamos, quantos artistas possuem tal capacidade nos dias de hoje? Um dos melhores álbuns dos últimos anos e simplesmente essencial na coleção de qualquer fã de boa música.

 

Repertório:

1 – Spirit Waker 2’04”

2 – Hollow Veil  5’29”

3 – Moths  5’10”

4 – Wars  6’24”

5 – The Dawn Brings A Saviour  3’55”

6 – Buried Pt. I  2’11”

7 – Buried Pt. II  5’49”

8 – Foregone  7’27”

9 – Lament  6’32”
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