Review: Epica – The Holographic Principle

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No dia 15 de outubro, o Epica, em parceria com Nuclear Blast e Overload, realiza pela primeira vez no Brasil, o Epic Metal Fest, que terá, além da banda holandesa, Paradise Lost, Xandria, The Ocean, Finntroll, Tuatha de Danann e Project 46.

O Blog A Música continua a mesma resenhou o álbum The Holographic Principle, que será lançado oficialmente no Epc Metal Fest. Confira!

Logo que o Epica surgiu com seus primeiros trabalhos, eu não conseguia entender a empolgação de muitos com seu som. Seu Metal Sinfônico era muito mais sinfônico do que qualquer outra coisa e as guitarras eram apenas mero detalhe meio às partes orquestrais e ao vocal operístico de Simone Simons, por mais que ainda assim soassem mais pesados que seus pares. Mas desde Requiem for the Indifferent (12), já com o guitarrista Isaac Delahaye fazendo parte efetivamente do grupo, isso começou a mudar paulatinamente e a guitarra começou a ganhar mais espaço nas canções.

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Em seu trabalho anterior, The Quantum Enigma (14), o Epica parecia ter chegado a seu ápice, unindo suas características básicas com um som pesado, moderno e atual, tudo soando absurdamente natural. Pois bem, perceberam que eu disse “parecia”? The Holographic Principle vem para mostrar que os holandeses podem voar ainda mais alto do que imaginei. Em seu 8º trabalho de estúdio, sua sonoridade alcançou um padrão que eu realmente não imaginava que conseguiriam.

Claro, ainda temos aqui aquela fórmula básica de como fazer uma canção do Epica, ou seja, abertura orquestrada/grandiosa, peso mesclado com elementos do Progressivo, que dão complexidade às músicas, seguido de um refrão que cativa fácil o ouvinte. A banda criou um estilo todo seu, que as outras por mais que tentem imitar, não conseguem igualar. Ajuda muito nisso também a qualidade individual de todos os seus músicos e o fato de todos terem voz na parte criativa. É isso que impede o Epica de se tornar uma banda repetitiva

Aqui parece que conseguiram maximizar ainda mais tudo de bom que já apresentavam. Os coros estão simplesmente perfeitos e as orquestrações estão um show à parte. Pesa nisso o fato de terem trocado os samples por instrumentos reais, o que deu uma outra profundidade às suas canções. Além disso, tudo soa mais pesado e como de praxe, elementos de diversos outros estilos podem ser observados aqui. Quer um exemplo?

Podemos observar a influência de música oriental em diversas passagens por aqui, como na cativante  “A Phantasmic Parade”, que conta com uma parte de coro e orquestra simplesmente fabulosa, além de ótimos guturais de Mark (algo que você vai escutar bastante nesse trabalho) e principalmente na hipnótica “Dancing in a Hurricane”, que faz jus ao título. Outro? “Ascension – Dream State Armageddon” começa com um piano e os vocais de Simone e vai crescendo aos poucos, até explodir em peso, chegando em alguns trechos a remeter àquele Black Sinfônico praticado pelo Dimmu Borgir (muito disso graças aos teclados, simplesmente fantásticos). Já “The Cosmic Algorithm” é bem Metal e abre espaço para aquele lado mais gótico dos holandeses. Aliás, o peso das guitarras no álbum todo impressiona, se lembrarmos que estamos diante de uma banda de Metal Sinfônico.

Mas existem muitos outros destaques por aqui. “Edge of the Blade” se mostra absurdamente enérgica, com um coral simplesmente incrível e Simone exibindo toda sua diversidade vocal. Vale dizer que em The Holographic Principle ela dá um enfoque muito maior aos vocais convencionais se comparado com o passado mais recente. Mas claro, seus poderosos vocais operísticos se mantêm mais que presentes durante os mais de 72 minutos de duração do álbum. Esse aspecto também pode ser observado em “Universal Death Squad”, bem intrincada, com melodias bem marcantes e ótimos guturais de Mark. “Beyond the Matrix” é outra na qual você pode pescar alguns elementos orientais nas guitarras, além de possuir um ótimo solo e o refrão mais épico do álbum. Já “Once upon a Nightmare” é uma balada que tinha tudo para soar melosa, mas que o piano/teclado de Coen Janssen, os vocais de Simone e as orquestrações e corais acabam por torná-la um dos grandes destaques de todo o trabalho. Já a faixa título, que encerra o trabalho com seus mais de 11 minutos de duração, consegue reunir tudo de bom que aqui encontramos em uma única canção, sendo o resumo e encerramento perfeito para o álbum.

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(Epica – The Holographic Principle – Capa)

Como em time que está ganhando não se mexe, na produção repetiram o time do álbum anterior, tendo a mesma sido capitaneada por Joost van den Broek (After Forever, ReVamp, Mayan, Xandria) e mixagem realizada por Jacob Hansen (Evergrey, Destruction, Pyramaze, Kamelot, Primal Fear), que conseguiram elevar ainda mais o resultado obtido em The Quantum Enigma. Ficou tão perfeita que eu diria ter tirado até um pouco da naturalidade da coisa. Infelizmente esse é um mal dos tempos atuais, mas não dá para discutir a qualidade da mesma. A premissa de não mexer no que está dando certo funcionou também para a capa, aqui feita mais uma vez por Stefan Heilemann.

The Holographic Principle é desses trabalhos que devemos degustar com calma, apreciando todas as suas nuances. Com canções muito bem construídas e pesadas, corais excelentes, orquestrações poderosas e que deram muita profundidade às canções, por serem tocadas com instrumentos reais, além de um desempenho individual de todos os músicos aqui envolvidos, o Epica entrega aos seus fãs o melhor trabalho de sua carreira, seu projeto mais grandioso e ambicioso.

E aos interessados, o CD está saindo no Brasil pela Voice, com primeira edição em digipack duplo, limitado e numerado.

Epica é:
– Simone Simons (vocal);
– Mark Jansen (guitarra/vocal)
– Isaac Delahaye (guitarra)
– Rob van der Loo (baixo)
– Ariën van Weesenbeek (bateria/vocal)
– Coen Janssen (teclado)

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