Review: “Kodama”, do Alcest

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Por Rafael Sade

Durante a turnê do Shelter, eu li uma ou duas entrevistas na qual o vocalista Neige dizia que o próximo disco voltaria às origens da banda. Como prometido, Kodama traz o som característico do blackgaze (shoegaze com black metal) que trouxe tanta fama ao Alcest.

Kodama é um álbum que já nasceu clássico e traz a velha forma do Alcest de volta. Só que não ouvimos apenas o blackgaze nele e, sim, um apanhado de toda a carreira do grupo nas seis faixas que o compõem.

Sua temática exibe a conexão da dimensão física com a espiritual, trazendo a essência da música japonesa inspirada por obras como “A Viagem de Chihiro” e “Princesa Mononoke”, inclusive na capa. É uma continuação do Écailles de Lune (2010), mas as composições poderiam fazer parte tranquilamente de Les Voyages de l’Âme (2012), mesmo que sejam mais pesadas e diretas.

alcest_kodama_cover

Os destaques ficam para a faixa-título, muito agradável e de clara inspiração nipônica, que faz a melodia grudar na cabeça por horas. “Untouched” poderia estar facilmente no Shelter, e é a mais dream pop de todo o álbum. “Oiseaux de Proie” foi a primeira disponibilizada para audição e certamente é a melhor do álbum, mostrando o retorno dos vocais rasgados de Neige.

O Alcest conseguiu passar a mensagem e a sensação de ligação entre dois mundos que o novo trabalho busca propor e que os ouvintes da banda tanto buscam a cada nota. Claramente, Kodama figura entre os melhores lançamentos de 2016 e um dos melhores da discografia dos franceses.

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Selo: Prophecy