Review: Komatsu em Florianópolis/SC em 18 de maio de 2017

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Por: Matheus Jacques

Primeira banda holandesa inserida na verve do Stoner a dar as caras em terra brasilis, a Komatsu é um daqueles esquadrões um tanto difíceis de se categorizar (e pra que mesmo fazer isso? Deixa o rio seguir o curso) apresentando em sua sonoridade elementos de stoner rock, metal, punk rock, sludge e por ai afora.

Com uma marretada de riffs incisivos e flamejantes, vocais marcantes e nervosos e apresentações reconhecidas como eletrizantes por um mundaréu de gente afeita aos sons chapados e pesados, os caras desenvolvem sua sonoridade peculiar há alguns anos e finalmente vieram ao Brasil na segunda metade de Maio passado através da Orleone Records para esclarecer: qual é a desses holandeses?

Em oito apresentações passando por Sul e Sudeste, uma coisa parece ter sido deixada bem evidente: o chicote estralou! A apresentação que acompanhei e sobre a qual escrevo se deu na capital catarinense, Florianópolis, em 18 de Maio de 2017.

MUÑOZ
Para um visitante de peso, nada mais propício e merecido do que uma “prata da casa” igualmente densa e acachapante: o duo mineiro/goiano/catarinense de heavy blues Muñoz fez as honras da casa e apresentou no Célula Showcase sua já notória e absurda patrola de riffs blueseiros gordos e trovejantes somados à venenosa e brutal condução na bateria e ótimos vocais.

Por cerca de quarenta minutos os irmãos Mauro e Samuel Fontoura apresentaram petardos de seus dois trabalhos “Nebula” (2014) e “Smokestack” (2016) e tornaram o interior do Célula um contraste ao clima bastante frio de Floripa naquela noite: uma verdadeira redoma de energia fumegante e incendiária, causando boa impressão até nos holandeses da Komatsu que davam suas conferidas no show.

Já virou hábito escrever sobre shows do duo e chover no molhado sobre a qualidade de suas apresentações, mas uma coisa ficou mais evidente que nunca e merece um destaque aqui: a faixa “Snowball” do álbum Nebula é, definitivamente,  uma das melhores faixa do tipo já feitas por aqui em minha humilde opinião e se torna ainda mais poderosa ao vivo. Mais uma abertura digníssima para o duo em se tratando de gringos, já que também abriram shows de bandas como Kadavar e Truckfighters.

Crédito: Matheus Jacques

KOMATSU
Sem deixar os ânimos esfriarem (e de frio já bastava o clima, coisa que parece ter acompanhado a tour da banda junto com a chuva) o tempo que separou o final da apresentação da Muñoz do início da surra dos holandeses não foi dos maiores e logo tínhamos no palco o massivo quarteto de Eindhoven.

Fronteada por Maurice Truijens, guitarra e voz, a banda evidenciou desde os primeiros acordes e passos de sua apresentação algo irrefutável: estávamos diante de uma coesão irremediável. A sintonia fina entre os membros e sua conexão com sua proposta sonora foram elementos sempre presentes durante a uma hora e tantos minutos de show, somadas à uma energia intensa, muita empolgação e uma saraivada fumegante de riffs e solos.

É um tanto complexo ser plenamente imparcial: Komatsu é uma banda que me acompanha desde os idos de 2012, época intensa de “escavação” de blogs, e uma pela qual nutria intensa vontade de poder acompanhar um show de perto. Naquela época, praticamente impossível cogitar ver uma banda assim por aqui. Portanto, foi bastante marcante ouvir sons antigos e mais novos, como “Low “, “Scavenger”, “Long  Way  To Home “, “Lockdown”  e várias outras porradas dos caras graças ao empenho da Orleone Records e do pessoal responsável pelas chapações em Florianópolis.
O setlist foi muito bem estruturado e estava recheado de cacetadas, inclusive duas faixas novas dos sujeitos, mas a maior presença foi realmente “Recipe For Murder One “, o mais recente álbum dos caras lançado em 2015 pelo selo italiano Argonauta Records. Na dianteira dessas pedradas estava uma calibradíssima banda que contava com a pulsante presença de baixo e backing vocal do “gigante“ , com os melodicamente trovejantes vocais e criativos riffs de Maurice Truijens, firme e sóbria condução na bateria e excelente desempenho nas 6 cordas e solos, que fez o diabo e se firmou como um dos grandes destaques da apresentação da Komatsu, que mal deixou o país e já largou saudades por aqui, deixando a urgência da próxima estralada de chicote.

SETLIST:

Por: Matheus Jacques