REVIEW: Gods and Punks – “Into the Dunes of Doom”

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Por: Matheus Jacques

Dando seguimento ao EP de estréia “The Sounds of The Earth”, a banda carioca Gods and Punks lança nesse dia 13 seu ótimo novo album, “Into the Dunes of Doom”. Confiram resenha do album!

Seguindo o que foi iniciado em 2016 com o EP “The Sounds of The Earth”, a banda carioca de Stoner progressivo/psicodélico Gods and Punks surge como um novo ato no cenário brasileiro de rock progressivo e psicodélico. Despontando com frescor e o aparente interesse de não aceitar o “fardo” de ser apenas mais um peixinho nadando na correnteza do mais do mesmo, os caras apresentam elementos que os diferem de boa parte das bandas envolvidas nessa cena no país. Caprichando nas nuances progressivas e remetendo tanto a bandas como Pink Floyd e Lucifer’s Friend, quanto Black Sabbath, Rush e Zeppelin, os caras contam com o vocal diferenciado de Alexandre Canhetti, uma timbragem bem interessante e interações afiadas entre os demais instrumentos. Apresentando agora seu primeiro álbum, sete faixas, os caras mostram uma evolução considerável em relação ao primeiro EP, demonstrando que o promissor se tornou realidade palpável.

créditos: Victor Mancebo

Gravado no estúdio MATA em Niterói, ´”Into the  Dunes of Doom” se desvela com uma maior riqueza de detalhes em comparação ao EP de estréia do quinteto. Com um esmero na produção e na diversificação de elementos, a Gods and Punks toma essa sua jornada pelas dunas como a abertura de um leque de novas possibilidades. Em um desenrolar gradual e malemolente, o primeiro album da banda carioca contorce-se entre elementos do Rock Progressivo, do Hard Rock, do Stoner, achando seu ponto de equilíbrio em algum lugar na encruzilhada entre essas vertentes. Fugindo de um estereótipo encontrado nessas sonoridades (nada contra em particular, cada um com seu veneno) com vocais regados a whiskey, riffs padronizados, linhas de Baixo quase inexistentes e compassos de bateria sem tesão, a banda busca explorar outras vielas com seu trabalho.

“Dunes of Doom” se desloca como um Verme da Areia em um compasso pulsante e gradual, tremulando as dunas e se refestelando em um Stoner Progressivo com algum mínimo “sabbathismo” pontual e riffs caprichados. A presença do Baixo acompanha com louvor a qualidade da faixa.

Aberta por uma manifestação percussiva associada ao retumbar das cordas do Baixo e ao ressoar das seis cordas, “Civilization” nos apresenta uma intro deleitosa e climática com o Baixo mais uma vez marcando posição. O riff-base é bastante interessante e liga a aurora da faixa ao surgimento do vocal de Alexandre Canhetti, que de uma forma geral no trabalho inteiro me soou mais orgânico e bem trabalhado em relação ao EP “The Sounds of the Earth”. A mim, parece que ele encontrou para sua voz uma “área de segurança” bem aproveitada nesse trabalho e evoluiu em relação ao trabalho de estréia. Casando bem com a proposta instrumental da banda no álbum, ainda por cima.

 

“Signs of Life” apresenta algum dinamismo especialmente acrescido e um groove swingado conectando um ótimo trabalho de guitarra e boa pontuação vocal. O trabalho de bateria também se sai muito bem na faixa, que se divide e estrutura bem em seus módulos e segmentos. Sem se permitir imergir no estático, no monótono, a música tem uma tônica plausível e agradável. Ponto-destaque para o trabalho do Baixo, mais uma vez.

A instrumental “Mushroom Cloud” é um dos grandes destaques do álbum. O segmento malemolente de Rock groovy e dançante que abre e fecha a faixa é entrecortado por um belo trecho de uma musicalidade Floydiana envolvente e sedutora, com um serpenteante e suave solo de guitarra evocando reminiscências da seminal banda britânica de Rock Progressivo/Psicodélico. Marcante e tocante. Talvez com um punhado de minutos a mais nessa mesma dinâmica, seria um pequeno épico dos caras, aquela faixa inesquecível de fato. Mesmo assim, consegue se sair muitíssimo bem nos pouco mais de quatro minutos de duração, sem se atrever a deixar pontas soltas.

Como último grande destaque, a magistral “The Encounter”. Contando com a participação do músico Ronaldo Rodrigues, membro de bandas bem conhecidas na cena como Arcpelago e Caravela Escarlate e que também participou do album “Patagonia” da banda carioca de hard/prog/blues Blind Horse, a faixa é uma epopeica psicodelia progressiva que descerra com louvor “Into The Dunes of Doom”. Como uma orquestra das areias do planeta Duna. Timbragem calibradíssima, climão construído, a presença soberba do Teclado… tudo convergindo para um encerramento épico e fumegante. Em questão instrumental e principalmente vocal, a Gods andPunks do EP de estréia parece emergir aqui e ali nessa faixa, de modo que observamos um lapso temporal entre EP e Album, onde elementos se fundem e coexistem. Mudanças de tempo bem posicionadas, energia, profusão de riffs, atmosfera envolvente… tudo presente.

“Into the Dunes of Doom” é não apenas um, mas um punhado de passos adiante da banda Gods and Punks em relação ao seu EP de estréia. Maturidade, harmonia e calibre, tudo adicionado em doses generosas nas sete faixas do trabalho. Especialmente com as faixas “Civilization” e “The Encounter”, duas pedradas dignas de nota. Produção bem realizada, mixagem fina, a adição do baita músico Ronaldo Rodrigues… os elementos positivos definitivamente se sobressaem. O que era promessa e potencial no EP, se torna mais concreto e sólido com versatilidade e cérebro no álbum. Lançamento imperdível para quem curte um bom rock progressivo e Stoner Rock. Alem, claro, de estar buscando algo além do “mais do mesmo”.

“Into the  Dunes of Doom” sai oficialmente dia 13 de Outubro, via Abraxas Records (CD/Digital), Red House (CD) e Dinamite Records (K7).

GODS AND PUNKS é:

Alexandre Canhetti – vocal
Pedro Canhetti – guitarra solo
Rafael Daltro – guitarra base
Danilo Oliveira – baixo
Arthur Rodrigues – bateria
Ronaldo Rodrigues – teclado em “The Encounter”

https://www.facebook.com/godsandpunks/
https://godsandpunks.bandcamp.com/